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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Presidente da República nomeia novo Chefe do Estado-Maior da Marinha
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
DOSSIER
FLASH
ÁLBUM
CIÊNCIA E TÉCNICA
REFLEXÃO
CRÓNICA
ANCORANDO
DOSSIER
         
 
Turismo marítimo que ainda não temos...
Graciete Mayer

O céu cinzento em pleno sábado, num verão, remete para os leigos em matéria de meteorologia o prenúncio de chuvas para as próximas horas, descartando qualquer possibilidade de fazer-se uma praia.
Mas tal caso não se sucedeu. Pois um grupo de jornalistas a convite da Marinha de Guerra Angolana (MGA) partiu para uma aventura de cerca de oito horas para visitar as mais diversas praias de Luanda e os seus encantos.
Eram por volta das 8 e meia da manhã. Os membros da caravana ajeitam os coletes salva-vidas dados por um dos tripulantes. Os bancos do bote pneumático da MGA são ajeitados. O fotógrafo olha para o tempo e teme que as imagens venham a ter pouca qualidade. Mas do outro lado recebe uma palavra incentivadora.
O timoneiro dá sinal aos "navegantes". Minutos depois dá arranque ao motor que tem uma capacidade de 300 litros de combustível. Os movimentos serpenteantes do bote de quando em vez dava uma sensação de desconforto aos membros da caravana. o passeio começa a ficar interessante.
Vários navios de grande e pequeno porte parecem estar dispersos ao longo do Porto de Luanda outros, mesmo a escassas milhas. Cada um deles com a sua especificidade, isto é, de mercadorias industriais, alimentares, bebidas etc.
Luanda, a marginal, o porto, começam a ficar para trás. Apenas são vistos tanto do lado esquerdo como o direito barcos, navios, uns em bom estado outros nem por isso. Outros mesmo à beira do naufrágio. A paisagem começa a remeter para um universo de imaginações prazerosas.
O passeio continua. Ao longe é possível contemplar a paisagem maravilha da Ilha de Luanda, da marginal, emfim! Depois de vinte, trinta, quarenta milhas percorridas o rol de barcos que aguardam a entrada no Porto de Luanda desaparece. Apenas águas. Peixes. De quando em vez uns salteiam como se estivessem a cumprimentar ou seja dar boas-vindas aos visitantes.
Por um instante pode-se dar à vista uma avalanche de navios. Uns encalhados à beira da costa, outros ancorados em pleno mar. Afinal, trata-se de um cemitério de barcos. Um local onde são depositados todos os barcos em mau estado de conservação. Cada um deles tem a sua história. O Ngola, da Angonav, Lundonge... só para citar alguns. São mais de 20 navios, que estão ali há mais de 10 anos. Uns já a naufragar outros nem por isso, ainda resistem.
O local poderia fazer parte de um roteiro turístico. Os "navegantes" começam a contemplar as diversas praias que tem Luanda. A vista dá a entender que quase todas estão desérticas. De facto estavam. Um ou outro cidadão aparece na praia para depois mergulhar na água fria. Afinal, o tempo ainda não favorecia, pois era cedo demais. As pequenas barracas de forma perfilada aguardavam por turistas. Por norma, pequenas construções feitas por populares, que aproveitam a ocasião para fazer os seus negócios. Até dá um jeito.
Onze horas em ponto. O sol dá o ar da sua graça. O fotógrafo alegra-se. As fotos sairão mais perfeitas. O timoneiro direcciona o passeio para outro lado. O destino era o Mussulo. Pelo caminho um ou dois barcos de recreio.
O que mais sobressai são as pequenas lanchas e canoas de pescadores. Além de tirarem peixe no mar aproveitam a oportunidade para fazer passeio. O barco passa por cima de uma rede dos pescadores. O timoneiro é alertado e desvia a rota. A pesca banda-banda foi proibida pelo Ministério das Pescas, mas há quem continua a praticá-la .
A sumptuosa ilha do Mussulo está bem perto dos olhos. O local recebe dia-riamente milhares de turistas nacionais e estrangeiros que procuram as suas belíssimas praias. Uma ilha que constitui um dos cartões de visita de Luanda, depois da Marginal, que exibe o contraste entre a beleza natural da baía e os edifícios modernos ao seu redor.
O Mussulo, como a ilha do Cabo, à entrada da baía de Luanda existe uma excelente estrutura de entretenimento, com alguns restaurantes e com
belíssimas praias de areias brancas e águas claras, ornadas por coqueiros.
São locais que deveriam ser melhor aproveitados, com a construção de magníficos hotéis, restaurantes, bares de modo a atrair mais turistas.
A necessidade de se desenvolver o turismo marítimo trará ao Estado mais receitas anualmente. Pois em águas marinhas angolanas poderiam passar centenas de pessoas em navios de grande porte para recreio, provenientes de diversos pontos do mundo. São os chamados cruzeiros marítimos, que por mês fazem 10 milhões de dólares em termos de receitas.
O turismo de cruzeiros movimenta, anualmente 40 biliões de dólares a nível do mundo. Se o Estado criar condições de construção de hotéis, restaurantes, ao longo das praias e mesmo no interior das cidades do litoral só o país terá a ganhar.
Angola tem condições para atrair cruzeiros, pelo facto de possuir um enorme potencial para o qual deve corresponder com um plano regional que ao lado do conjunto de investimentos em infra-estruturas hoteleiras e em serviços.
Ainda assim, se deve construir, a nível dos portos, terminais especializados para navios de cruzeiros, propiciando as condições necessárias para a sua transformação em ponto de convergência de cruzeiros marítimos que se voltam para o atlântico.

 

 
 
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