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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Presidente da República nomeia novo Chefe do Estado-Maior da Marinha
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
DOSSIER
FLASH
ÁLBUM
CIÊNCIA E TÉCNICA
REFLEXÃO
CRÓNICA
ANCORANDO
ENTREVISTA
         
 
Homem centro de todas as prioridades
CFR. Augusto Lourenço

A formação de quadros e a criação de melhores condições de aquartelamento das tropas constituiem duas das prioridades identificadas pelo novo Chefe do Estado-Maior da Marinha de Guerra Angolana.
Almirante Augusto da Silva Cunha falava no final de 7 horas de visita à Companhia Radiotécnica de Observação Costeira de Luanda, à Unidade dos Fuzileiros Navais, na Vidrul, e à Direcção Central de Abastecimentos. Quanto à Revista Marinha, o seu sonho é torná-la numa das melhores da especialidade. "Por isso, não deixarei de prestar atenção especial à nova revista da MGA. Podem ficar tranquilos" (risos).
Siga a primeira entrevista dada à Revista Marinha, na condição de Chefe do Estado-Maior da MGA.

REVISTA MARINHA- Depois das visitas que Sua Excelência fez, quais as constatações?
ALMIRANTE Augusto da Silva Cunha- As conclusões a que cheguei é que nós temos de ter uma preocupação muito particular com o Quartel dos Fuzileiros. Não gostei de ver as condições de trabalho e de aquartelamento das tropas. Acho que dentro das prioridades no âmbito do melhoramento das condições de vida da tropa temos que priorizar o quartel dos Fuzileiros.

RM- Tendo em conta as condições que encontrou em várias unidades, que projecções faz para a MGA?
ALM ASC- Bom. Na minha primeira intervenção disse que iria priorizar a melhoria da qualidade dos quadros. Marinha é um ramo muito especializado, que tem contacto com alta tecnologia. Então a nossa preocupação deve ser mesmo para o homem. É por isso que a nossa aposta vai para as escolas. Criar as melhores condições possíveis nas escolas, para permitir que a nova geração tenha uma formação ao nível daquilo que a gente pretente.

RM- Fala-se na formação de quadros, mas por outro lado há o problema de acomodação dos quadros em termos de condições de trabalho. Como ultrapassar esta situaçao?
ALM ASC- Temos de aliar uma coisa a outra. Temos que fazer as coisas em simultâneo. Porque neste momento a nossa preocupação vai para as duas escolas: a escola de formação básica e a Escola de Especialistas Navais. Este processo de melhoramento das escola já começou há muito tempo, o que quer dizer que podemos, faseadamente, atacar alguns quartéis. Como disse, na prioridade de melhorar as condições da tropa, uma das apostas será o quartel dos fuzileiros. Porque é uma força muito importante na Marinha, que durante a Guerra cumpriu missões muito especiais a nível do país e no estrangeiro. Pensamos que devemos dar outras condições de trabalho.

RM- Reabilitar tudo e apostar na melhoria de condições das unidades e da tropa. Como está a MGA em termos de recursos financeiros?
ALM ASC- Os recursos são sempre escassos, no entanto, é dentro dessa escassez de recursos que nós devemos apostar nas nossas prioridades.

RM- Até que ponto o jeito de comissário político se sobrepõe ao de comandante? Ajuda ou atrapalha?
ALM ASC- (Risos). Ajuda. Ajuda muito. Porque o cargo de Chefe do Estado-Maior também é um cargo político. Assim sendo é preciso ter uma visão estratégica no contexto interno e internacional. E ajuda o facto de ter passado em escolas de formação política.

RM- Visitou as zonas marítimas nº3 e 4. As preocupações do Lobito são diferentes das encontradas aqui?
ALM ASC- Sim. Cada zona tem a sua especificidade. No Lobito, a minha preocupação principal foi para a Escola de Especialistas Navais. Esta escola foi transferida de Luanda para Catumbela e é lá onde temos encaminhado todo os nossos esforços para que as condições sejam as melhores. Com relação à própria zona marítima nº 3 temos que atacar com urgência a reparação do cais da Base Naval.

RM- E no Namibe?
ALM ASC -No Namibe a Marinha de Guerra tem poucas infraestruturas. E dentro do processo de reedificação, atendendo que vamos dar uma importância diferente à ZMnº4, nós já editificamos alguns locais onde eventualmente se irá construir uma Base Naval. Construir uma unidade dessa dimensão implica ter infraestruturas de apoio. Identificamos no Tômbwa o local onde pretendemos implantar uma subunidade.

RM- Projecta-se a construção de uma nova Base Naval de Luanda e um novo Edifício do Estado-Maior. Este projecto continua de pé?
ALM ASC- Isso é um projecto que carece de uma decisão superior do Estado. Falou-se nisso, identificou-se mais ou menos a área, mas eu penso que isso não é uma situação para curto prazo, mas sim de médio prazo. Não nos vamos amarrar a esta situação da mudança da Base Naval de Luanda para outro local. Vamos investir nas infraestruturas que temos actualmente.

RM- Falando em reequipamento. Qual é a situação actual das lanchas da classe "Mandume"?
ALM ASC- As lanchas da classe Mandume vão voltar a navegar. Dentro de pouco tempo estarão prontas.

RM- Quando é que chega na Marinha de Guerra?
ALM ASC- Cheguei no fim do ano de 1979. Fui oficial do exército. Aliás, quase todos os oficiais que compõem o Ramo vieram do exército. A última função no exército foi o de comissário político do grupo táctico. Eu tinha acabado de participar da Operação Dangereux no Kuando Kubango, quando fui chamado para Luanda e depois enviado para a Marinha. Suponho, a pedido na altura do Comissário Político capitão Saraiva. Ele solicitou à Direcção Política Nacional das FAPLA. Assim entro para a Marinha e a minha primeira função foi o de instrutor de Agitação e Propaganda, na então Direcção Política da MGPA. Depois fui nomeado comissário político da Brigada de Navios de Luanda, cujo chefe do Estado-Maior era o Almirante Feliciano António dos Santos "Paxi". Mais tarde parti para a Ex-URSS frequentar a Academia Político-Militar na Cátedra de Marinha. Fui aí onde fiz a minha licenciatura e matérias de Marinha e mestrado em história militar.

RM- Que outros cargos ocupou depois do regresso do estrangeiro?
ALM ASC- Fui nomeado chefe da Secção Política do Estado-Maior da Marinha. Exerci este cargo durante cerca de 2 anos. Por indicação do Chefe da Direcção Política Nacional fui nomeado Chefe Adjunto do departamento de Agitação e Propaganda da Direcção Política Nacional. Dois anos depois, nomeado Chefe da Direcção Política da MGPA, em 1988, em substituição do hoje Tenente General Paz Costa. No âmbito do processo de formação das FAA, já em 1992, fui nomeado comandante Naval da MGA. Cargo que exerci até cinco anos atrás, quando foi nomeado Vice-Chefe do Estado-Maior.

RM- Por altura dos 31 anos da Marinha que mensagem dirige à família da Marinha.
ALM ASC- Que todos nos engajemos pensando sempre em dar todo o nosso esforço para que tenhamos uma Marinha que possa cumprir com êxito a sua missão na defesa da soberania.

RM- Sua Excelência é o coordenador do Conselho redactorial da Revista Marinha quais são os projectos para o futuro?
ALM ASC- Temos de fazer da Revistas Marinha uma das melhores Revista no fórum militar. Eu penso assim, porque é através dela que podemos transmitir à sociedade matérias ligadas ao Ramo. Há muita gente que é pouco sensível às questões do mar. Então vamos tentar fazer da revista um veículo para transmitir uma nova visão sobre o mar. Por isso, não deixarei de prestar atenção especial à nova revista da MGA. Podem ficar tranquilos (risos).

 

 
 
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