revistamarinha@yahoo.com.br
 
 
Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
Clique para aumentar Manchete
Presidente da República nomeia novo Chefe do Estado-Maior da Marinha
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
DOSSIER
FLASH
ÁLBUM
CIÊNCIA E TÉCNICA
REFLEXÃO
CRÓNICA
ANCORANDO
REFLEXÃO
         
 

O adeus do Almirante "Paxi"
Surpresa, actualidade, ineditismo e repercursão. A notícia, com todos esses ingredientes, facilmente desceu e subiu escadarias. Accionou hélices, saiu do cais, assustou gaivotas e perdeu-se no horizonte.
Depois de muitos anos de convívio e partilha, cumprido o seu mandato, como Chefe do Estado-Maior da MGA, o Almirante "Paxi" deixa o seu lugar ao Almirante "Gugu". A sala tornou-se pequena. A plateia esperou ansiosa pelo momento da despedida. As flámulas da saudade e da emoção cobriam a sala. Pequenas ondas rossavam o cais.
"Vou partir, deixo amigos, eu creio, e desculpem se durante a minha gestão prejudiquei alguém ou grupo de pessoas, mas foi tudo no sentido do bem comum", disse o antigo Chefe do Estado-Maior da MGA, Almirante Feliciano António dos Santos "Paxi" na cerimónia de despedida, realizada na Base Naval de Luanda.
O Almirante, no seu improviso, falou da necessidade de se prestar uma maior atenção ao homem como engrenagem fundamental para o desenvolvimento da Marinha, tendo em conta a responsabilidade de Angola na defesa das suas águas nacionais, onde se extrai mais de 90 por centos das receitas para o OGE, bem como no contexto da sua participação na segurança dos estados do Golfo da Guiné.
Eis o discurso na íntegra!


Senhores almirantes
Senhores oficiais superiores
Senhores assessores
Minhas senhoras, meus senhores
Camaradas!

Depois das palavras que escutei do camarada Chefe do Estado-Maior, pouco me resta para dizer. Trabalhámos juntos durante muito tempo em distintas funções e em distintas unidades. Nos conhecemos, e os factos falam muito mais que as palavras. Vou partir, deixo amigos, eu creio, e desculpem se durante a minha gestão prejudiquei alguém ou grupo de pessoas, mas foi tudo no sentido do bem comum.
A marinha é um ramo das Forças Armadas infelizmente ainda com pouca expressão. Durante a minha gestão tentei forçar para de facto se mudar, o que até eu chamo de preconceito que existe da parte de alguma chefia em relação ao nosso ramo. E penso que começámos já a trilhar o caminho para essa direcção, para se ver a importância que o ramo tem no contexto geral das Forças Armadas e no contexto do país.
No mar, existe muitos recursos naturais alguns dos quais contribuem bastante para o OGE, que é o caso do petróleo. Naturalmente, não é compreensível que a Marinha se encontre na situação em que se encontra. Esta barreira é que é preciso vencer. Se se extrai petróleo do mar e é deste petróleo que o OGE vai buscar 90 por cento, se não for mais, do seu peso. Por que razão é que a Marinha se encontra na situação em que está? Será por mera ignorância? Será porque não se dá a importância devida ainda ao mar? Não se compreende. São perguntas que ficam no ar. É com esse exercício difícil que deixo os camaradas por resolver, em particular o camarada Chefe do Estado-Maior. Também sei que não depende dele, depende do poder político. Mas de qualquer forma, cada um de nós, cada um de vocês que fica deve ser agente disposto a demonstrar que a importância da Marinha de Guerra é muito grande.
Os camaradas sabem que Angola está inserida no Golfo da Guiné. O Golfo da Guiné tem hoje uma importância muito grande para o mundo, e particularmente, para a grande potência, que é os EUA. Ora, Angola foi indicada para presidente, vai ter de jogar o seu papel, mas à Marinha caberá o papel particular de fiscalizar e patrulhar, não só as suas águas internas ou as suas águas da zona económica exclusiva do país, como terá de ir até ao Golfo da Guiné. Mas sem os meios navais, sem os meios de navegação não será possível a Marinha fazer esse excercício. Bom, esse será um elemento facilitador para uma maior sensibilidade da parte do poder político.
Eu aconselho ao Chefe de Estado-Maior a prestar atenção particular ao homem. Os camaradas sabem que os meios materiais e logísticos são muito importantes, mas muito mais importante é o homem. É ele que tem o know how para fazer andar os meios, os recursos. Portanto, uma atenção particular deve ser dedicada aos almirantes, oficiais superiores, subalternos, sargentos e praças, às nossas secretárias, empregadas de limpeza, enfim. Todos que contribuem ou têm contribuído para o avanço da Marinha tem de se prestar uma atenção particular.
Também é verdade que da parte do mando superior não há qualquer rubrica para atender estas pessoas. Tudo que um chefe do Estado-Maior possa fazer é mais por uma decisão pessoal, de risco até, porque não lhe é atribuído qualquer dinheiro, qualquer orçamento para olhar em particular o camarada que está doente, o camarada que a casa meteu água, que não tem roupa para isso ou para aquilo. Portanto, são situações que os camaradas também devem compreender, porque nem sempre o Chefe do Estado-Maior terá disponibilidade financeira para poder satisfazer.
Outro aspecto importante é o relacionamento entre os camaradas. Se não fossem todos vocês e outros que cá não estão, não teríamos levado a Marinha para esse bom porto, nessa direcção. Então, devem estar unidos todos à volta do Chefe do Estado-Maior , porque vai ser o elemento aglutinador para que todos oficiais ajudem a levar a Marinha para a direcção que a gente pretende.
Queria agradecer a assessoria russa, a assessoria portuguesa por todo apoio que me puderam dar e devem continuar a dá-lo agora com o novo mandato, ao novo Chefe do Estado-Maior.
Como disse, não tenho muitas palavras para dizer, depois do que foi dito pelo camarada Chefe do Estado-Maior. Queria mais uma vez agradecer as palavras que foram ditas em relação à minha pessoa e também estarei disponível para qualquer conselho, qualquer ponto de vista. Se o camarada Chefe do Estado-Maior General ou o Chefe do Estado-maior da Marinha, em particular, quiser obter ajuda nesse ou naquele problema, algum dossier que a gente domine melhor, nós estamos dispostos a dar todo o apoio.
Como disse, a Marinha é nossa e todos nós metemos uma pedra para construir esse edifício que é a Marinha.
Muito obrigado!

 

 
 
Todos os direitos reservados © 2006 Revista Marinha
Design: Design: rrinformatica - rrweb@walla.com