revistamarinha@yahoo.com.br
 
 
Ano 5 - Edição 11 - Jul/Ago/Set 2007 - Distribuição gratuita
Clique para aumentar Manchete
Angola aposta no reforço do poder naval
SUMÁRIO
EDITORIAL
ACTUALIDADE
DOSSIER
GENTES & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
ENTREVISTA
REFLEXÃO
MEMÓRIA
CRÓNICA
ANCORANDO
CIÊNCIA E TÉCNICA
         
 
A vida no mar

Nota-se, no homem do mar, um respeito comum à tradição e uma grande veneração dos valores espirituais que o ligam à comunidade nacional onde teve seu berço. Vive, internacionalmente, a percepção que tem da Pátria, perto ou distante.

RADIÇÃO, USOS, COSTUMES E LINGUAGENS DO MAR
Os homens do mar, há muitos séculos, vêm criando nomes para identificar as diversas partes dos navios e designar a praxe de suas acções as quais, pela repetição, tornaram-se costumes. Naturalmente, muitas particularidades e expressões da tradição naval lembram, às vezes, aspectos da vida doméstica ou de actividades em terra.
O mar representa ¾ da superfície terrestre e tem uma grande influência na vida dos homens. Na realidade, a maior ou menor capacidade de uma nação em utilizá-lo, como fonte de riqueza ou de alimentação e, ainda, mais tradicionalmente, como via de transporte e comunicações, decorre, através dos séculos, percepção, como país, das aspirações nacionais. Hoje em dia, apesar das conquistas espaciais, vemos, na disputa pela supremacia marítima, comercial e militar, o reconhecimento dessa realidade pelas grandes potências.
O Poder Marítimo é a capacidade de uma nação utilizar o mar: é a marinha de guerra e mercante, é a frota pesqueira, são os navios de pesquisa, as escolas de formação de pessoal, as escolas de técnicos em assunto marítimo, a indústria naval e tudo o que se relaciona com o mar, com a consciência da necessidade de utilizá-lo, surgindo daí, a mentalidade marítima.
É óbvio que os navios, mesmo sendo pequenas cidades espalhadas por uma enorme área, fazem contacto entre si, nos portos ou na imensidão oceânica. Vivendo experiências semelhantes, os marinheiros sempre se ajudam uns aos outros e trocam conhecimento. Por eles foram criados, e continuam a sê-lo, costumes, usos e linguagem comuns: tradição do mar. É fácil entender o poder de aglutinação das tradições marítimas, visualizando-se a vastidão da área oceânica onde elas se manifestam. Os homens do mar, por arrostarem sempre a mesma vida e mutuamente se ajudarem, constituem, tradicionalmente, uma classe de espírito muito forte.
Nota-se, no homem do mar, um respeito comum à tradição e uma grande veneração dos valores espirituais que o ligam à comunidade nacional onde teve seu berço. Vive, internacionalmente, a percepção que tem da Pátria, perto ou distante. O respeito à tradição é uma característica que gera patriotismo sadio, fundamentado na valorização dos aspectos comuns e constitui um elemento comunitário, num poderoso aglutinador.
O Poder Marítimo de um país constitui-se da capacidade de administrar e de dar apoio às actividades ligadas ao mar. Para isso, são necessários recursos de todos os tipos, do material ao humano. O Poder Naval, exercido pela marinha militar ou de guerra, é a parcela militar do Poder Marítimo, e dele se origina, para sua própria protecção e segurança, garantindo os meios necessários para utilização do potencial da suas águas.
A essa marinha compete, com suas forças, bases navais, arsenais e estabelecimentos, garantir a capacidade de uso do mar, sejam quais forem as condições e ocasiões.
Assim, quando o jovem começa a carreira do mar vai aprendendo as suas parti-cularidades gradualmente, no dia-a-dia de suas actividades.
A linguagem própria é um poderoso instrumento de aglutinação. Quando se serve a bordo, em navio de guerra ou mercante, deve-se procurar segui-la. Com respeito à tradição, aliados a coragem e ao orgulho do que fazem, os homens do mar provocam a integração da comunidade naval e marítima, favorecendo a conquista de eficiência máxima, tão necessária a seus propósitos e aspirações.
Assim, as tradições, as cerimónias e os usos marinheiros, juntamente com os costumes, têm extraordinário poder de amalgamar e incentivar os que vivem do mar. Tendem, entretanto, a se tornar actos despidos de significado, quando sua explicação é perdida no tempo.
A lembrança constante das razões dos actos e a sua explicação ou, quando for o caso, das versões da sua origem, promovem a compreensão, o incentivo e a incorporação da prática marinheira.

A MENTALIDADE MARÍTIMA
O Comando dos navios cabe aos Comandantes. A importância funcional do navio deve definir a hierarquia de seus Comandantes. É mantida tradicionalmente a antiga importância dos navios para combate, classificados de acordo com o número de conveses e canhões de que dispunham

CARACTERÍSTICAS DO NAVIO
Quem entrar a bordo verá que o navio, além do nome, tem uma série de documentos e dimensões que o caracterizam. O nome é gravado usualmente na proa, em ambos os bordos e na popa. Nos navios de guerra, usualmente, é gravado só na popa. Os navios mercantes levam, também, na popa, sob o nome, a denominação do porto de registo.
Os documentos característicos do navio mercante são, entre outros:
CSeu registro (Provisão do Registro fornecida pelo Tribunal Marítimo); apólice de seguro obrigatório;
CDiário de navegação;
CCertificado de arqueação;
C Cartão de tripulação de segurança;
CTermos de vistoria (anual e de renovação ou certificado de segurança da navegação);
CCertificado de segurança de equipamento;
CCertificado de borda livre;
CCertificado de compensação de agulhas e curva de desvio;
CCertificado de calibração de radiogoniómetro com tabela de correcção;
CCertificado de segurança rádio;
CCertificado de segurança de construção.
A cor é muito importante. Antigamente, os navios eram pintados na cor preta. O costume vinha dos fenícios, que tinham facilidade em conseguir betume, e com ele pintavam os costados de seus navios. A pintura era usada, às vezes, com faixas brancas, nas linhas de bordada dos canhões. Somente no fim do século XIX, os navios de guerra abandonaram a cor preto pela cinza ou azul acinzentado, cores que procuravam confundir-se com o horizonte ou com o mar das zonas em que navegavam. Entretanto, muitos navios mercantes continuam até os dias de hoje a usar, no costado, a cor preta, principalmente por questão de economia. Era comum, também, navios de guerra pintados por dentro, junto à borda, com a cor vermelha, a fim de que não causasse muita impressão a sangueira durante o combate, confundida, assim, com as anteparas.
A bandeira, na popa, identifica a nacionalidade do navio, país que sobre ele tem soberania; mas, há uma bandeira, na proa, chamada jeque (do inglês "jack") que identifica, dentro de cada nação soberana, quem tem a respon-sabilidade sobre o navio. Os navios mercantes usam no jeque a bandeira da companhia a que pertencem; porém, alguns usam a bandeira identificadora de sua companhia na mastreação.
Deslocamento é a medida do peso do volume de água que o navio desloca, quando flutuando em águas tranquilas. Esse valor é o peso do navio. Os navios de guerra têm o seu tamanho avaliado pelo deslocamento, enquanto os navios mercantes são medidos pela capacidade de carregar mercadorias - a tonelagem, pois o que mais interessa são as características comerciais. A tonelagem é uma medida de volume e não de peso. A origem do nome vem de antigamente: os navios eram medidos por sua capacidade em carregar tonéis- padrão. Era a tonelagem, de tonéis.
A propulsão é outra característica importante do navio. Ela é obtida por hélice (s) - o hélice do navio, tradicionalmente, na Marinha, é no masculino - que é movimentado a motor diesel ou eléctrico, a máquina alternativa, a turbina a vapor ou a gás. Para efeito de regulamentos internacionais, um navio movido a hélice ou, mais raramente, a rodas, é um navio a propulsão mecânica.
Os navios ditos nucleares continuam sendo impulsionados pêlos mesmos hélices. Nuclear é somente a energia utilizada na produção de vapor para as turbinas que os movem; o combustível é que é nuclear. Os navios a motor diesel ou os navios a vapor, convencionais, utilizam energia obtida de combustíveis comuns: óleo diesel ou óleo combustível para caldeira ou uma mistura de diesel e óleo. As turbinas a gás utilizam combustível diesel de tipos mais leves.
As características de combate tinham natureza própria e os tipos mais comuns eram: naus (navios de batalha), navios de linha (navios de linha de combate); fragatas ("frigates"); e corvetas ("courvetes"). Essa classificação tinha a ver com o número de cobertas, isto é, conveses de canhões.
A velocidade é medida em milhas náuticas por hora, a milha náutica equivale ao comprimento do arco de um minuto de latitude. Com o achatamento da Terra, esse comprimento varia do Equador para os Pólos e é usado, então, como o valor padrão 1.852,4m, no sistema métrico, ou 2027 jardas, no sistema inglês, que é a medida de um minuto de latitude, na latitude de 48 graus. A palavra nó vem da forma antiga de medir-se a velocidade, o andamento dos navios. Primitivamente, jogava-se um pedaço de madeira à água, na proa e media-se com uma ampulheta o tempo que o navio levava para que tal pedaço passasse pela popa. Com o comprimento do navio e o tempo tinha-se a velocidade. Ainda hoje, em inglês, a palavra "log" (pedaço de madeira) significa odômetro - instrumento usado para medir a velocidade do navio.

SEMELHANÇAS ENTRE AS MARINHAS

A vida nas marinhas do mundo inteiro é muito semelhante. Todos que abraçam a carreira do mar pertencem a uma fraterna classe ou família. Há um vasto conjunto comum de usos, muitos deles ditados pela necessidade de segurança ou exigências naturais do meio, e outros, ainda, pela grande cordialidade que, entre si, nutrem os homens do mar, levando- os a uma permanente troca de gentilezas.
Não estamos aqui abordando, nem seria possível fazê-lo, tudo o que há em tradições, usos e costumes navais e marítimos. Só estão em pauta alguns aspectos mais curiosos. Desejamos que a sua divulgação atinja, também, aos que não são iniciados em assuntos do mar, principalmente o leitor jovem, dando-lhes um melhor e maior conhecimento da vida do homem do mar.

A HIERARQUIA NAVAL
A unidade de combate naval é o navio. Os Agrupamentos de navios constituem as Forças Navais e as Esquadras. Os Almirantes, principalmente, comandam Forças Navais, agrupamentos de navios. Sua hierarquia deve definir a importância funcional do agrupamento. Os postos de Almirantes, em sequência ascendente são: Contra-Almirante, Vice-Almirante, Almirante e Almirante da Armada.
O Comando dos navios cabe aos Comandantes. A importância funcional do navio deve definir a hierarquia de seus Comandantes. É mantida tradicionalmente a antiga importância dos navios para combate, classificados de acordo com o número de conveses e canhões de que dispunham: as corvetas, com um convés de canhões; as fragatas, com dois conveses de canhões; e as naus com três conveses de canhões, havendo também, a denominação de navios de linha ou navios de batalha, por serem os que constituíam as linhas de batalha. Daí a hierarquia ascendente dos comandantes, como Capitães-de-Corveta, Capitães-de-Fragata e Capitães-de-Mar-e-Guerra.
As funções internas nos navios cabem aos tenentes (em hierarquia ascendente: Subtenentes, Tenentes de Corveta, Tenentes de Fragata e Tenentes de Navio), Sargentos e praças (em hierarquia ascendente: Marinheiro, Cabo e Sargento). Nos navios de 1ª categoria (Destróieres, Cruzadores e Porta-Aviões) há, ainda, Oficiais Superiores que exercem funções internas, geralmente na chefia de Departamentos. Navios menores que as corvetas, em geral, são comandados por Tenentes de Navios.
É interessante notar, entretanto, uma característica ímpar da Marinha: na linguagem verbal, o tratamento normalmente dados aos oficiais da Armada resumem esses 11 postos a três: Almirante, Comandante e Tenente.
*Bibliografia: Apontamentos e IISS, na sigla em inglês

 

 
 
Todos os direitos reservados © 2006 Revista Marinha
Design: Design: rrinformatica - rrweb@walla.com