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A Marinha vai levar a cabo uma acção de formação contínua dos seus quadros e especialistas e apetrechar convenientemente os Centros de Instrução, quer sejam de fuzileiros ou de especialistas navais, com o objectivo de dotar o ramo de meios capazes de assegurar a defesa das águas nacionais.
A garantia foi dada pelo Chefe do Estado-maior da Marinha de Guerra Angolana, Almirante Augusto da Silva Cunha "Gugu", durante o aniversário do MGA decorrido recentemente no município do Ambriz, província do Bengo.
"Uma Marinha faz-se com homens, navios e infra-estruturas" afirmou, tendo acrescentado que "acções mais ousadas serão realizadas no domínio da formação de quadros e especialistas, tanto menores como intermédios".
"Neste aspecto"- afirma - "pela importância que tem o bem-estar da tropa para o cumprimento exitoso das suas tarefas e para cimentar a disciplina, todas as unidades da Marinha necessitam de adaptar-se à sua estrutura orgânica e garantirem o mínimo de funcionalidade, oferecendo às tropas melhores condições de aquartelamento com casernas bem equipadas, organizadas e refeitórios condignos, diminuindo assim os efeitos da dureza do serviço militar".
Segundo o Chefe do Estado-maior, Almirante "Gugu", a direcção do ramo está a realizar investimentos no âmbito da vigilância costeira com objectivo de monitorizar o tráfego marítimo dentro da chamada Zona Económica Exclusiva. "Para além disso, fomos chamados a garantir a segurança da navegação dos navios que entram ou saem das nossas águas transportando o crude. Participamos também, com outros países, na defesa do espaço denominado Golfo da Guiné. Uma rota bastante importante para a navegação marítima e da qual Angola, para além de membro, preside a recém formada organização" rematou.
Fuzileiros Lusos dão seu contributo
Um grupo de fuzileiros de Portugal, encabeçados pelo Capitão-de-fragata Jorge Monteiro, está a prestar assessoria técnica e de formação à Escola de Fuzileiros do Ambriz e à Praia Bebé (Escola de Especialistas Navais do Lobito).
Segundo Capitão-de-fragata Jorge Monteiro, a sua actividade em Angola prende-se com a questão da Assessoria técnica, ou seja, coadjuvar a Direcção de Preparação Combativa e o comandante da Escola de Fuzileiros no sentido de assegurar, principalmente, a instrução militar básica.
De acordo com a avaliação que fez do nível de organização das unidades da Marinha, Jorge Monteiro afirmou que "lá fora, as pessoas fazem uma avaliação muito baseada naquilo que se chama afro-pessimismo. No entanto, aqui há uma forma de trabalhar que em termo de eficácia, mesmo em eficiência, está acima do que as pessoas pensam ou da informação oficial disponível no exterior".
Em relação ao futuro, o Capitão-de-fragata Jorge Monteiro prevê que Angola terá uma Marinha "útil e eficaz". "A Marinha é o ramo das Forças Armadas do futuro" rematou.
“Atendendo a motivação que constato nas pessoas, associada a uma experiência e conhecimento anteriores, e sobretudo ao facto de que as riquezas de Angola não residem apenas na terra, mas também no mar" acrescentou.
O instrutor português Jorge Monteiro é licenciado em Ciências da Educação e possui uma pós-graduação em Estudos Africanos. Já esteve em Moçambique durante três anos e agora encontra-se em Angola como assessor técnico da Escola de Fuzileiros do Ambriz.
Preparar o homem para missões difíceis
A Escola de Fuzileiros do Ambriz é um pólo de desenvolvimento. Criado em 2003, por altura da transferência da escola de fuzileiros da ilha Cazanga, em Luanda, para o município do Ambriz (Bengo), a instituição militar tem como objectivo formar fuzileiros navais.
Na entrevista que se segue, o capitão-de-fragata Vaz Gonçalves, comandante da escola do Ambriz, fala dos projectos em carteira e um pouco do seu percurso militar até chegar ao posto de comandante.
Revista Marinha (R.M): Quando é que foi criada a Escola de Fuzileiros Navais do Ambriz?
Comandante Vaz (C.V): A Escola de Fuzileiros do Ambriz foi criada a 25 de Março de 1994, aquando do regresso de um núcleo de 30 fuzileiros formados em Portugal, do qual eu fazia parte, com o primeiro comandante da Escola de Fuzileiros e actual comandante da força de fuzileiros, Capitão-de-Mar-e-Guerra Bamba Zifua Castro.
Nesta altura, deu-se início a preparação de condições para a criação da Escola da Cazanga, nos arredores da Ilha do Mussulo, em Luanda. Depois teve início o primeiro curso de formação de fuzileiros de 15 de Novembro a 25 de Março de 1994. Durante este primeiro curso, conseguimos formar 150 fuzileiros, entre oficiais, sargentos e praças.
R.M: Quais são as atribuições desta escola?
C.V: A escola está vocacionada para fazer cursos de instrução militar básica e para formação de fuzileiros navais. Em 2005, realizamos uma acção de formação e instrução básica militar com 198 recrutas.
R.M: Em que circunstância é que se pensou criar a Escola de Fuzileiros do Ambriz?
C.V: Na altura em que foi concebido o projecto, era imperioso mudar as instalações da Escola da Cazanga, atendendo o facto de que esta pertencia à Igreja Católica. Durante o conflito armado urgia a necessidade de se proceder a formação de fuzileiros e o local que tinha sido encontrado era a Cazanga. Mas com a paz e depois de diversas negociações entre a Igreja Católica e o Ministério da Defesa viu-se que era necessário fazer-se a devolução daquele lugar ao seu pro-prietário. Daí que a Marinha precisava de encontrar um outro local para instalar a escola de fuzileiros. Portanto, a 28 de Julho de 2003 procedeu-se a transfe-rência da Escola de Fuzileiros da Cazanga para o Ambriz.
R.M: Em função dos acordos militares com países amigos, alguma vez a escola formou militares provenientes destes países?
C.V: sim, nós já formamos uma companhia da República Democrática do Congo em 2001. E temos realizado ou-tras formações internamente com outros ramos das Forças Armadas Angolanas (FAA).
R.M: Actualmente que requisitos são exigidos para quem deseja ser um fuzileiro?
C.V: No passado estávamos num momento de conflito e atendendo a conjuntura não se exigia com rigor todos os requisitos. Hoje a situação é outra e o recrutamento é mais exigente se comparado com o que acontecia anteriormente. Assim, para ser fuzileiro o mancebo deve cumprir com os seguintes requisitos: um nível de escolaridade razoável, para candidatos a praças exige-se 8ª a 10ª classes e 12ª classe ou ensino superior concluído para oficiais; boa robustez física e uma altura média de 1.70 m.
O nível de escolaridade exigido actualmente é bastante elevado, porque estamos numa fase de reestruturação e reedifificação das Forças Armadas Angolanas, tendo em conta a prossecução do factor qualitativo dos militares.
R.M: Do seu ponto de vista, a localidade do Ambriz reúne condições infra-estruturais e geográficas para albergar a Escola de Fuzileiros Navais?
C.V: Sem dúvidas. Segundo os estudos feitos, o Ambriz oferece características próprias para a criação de uma escola para formação de fuzileiros, atendendo ao facto que a instrução de fuzileiro baseia-se fundamentalmente na parte táctica anfíbia que compreende duas componentes: a componente aquática e terrestre.
Estamos engajados na edificação de infra-estruturas que permitam uma boa formação nesta escola. Refiro-me aos polígonos de tiros e os de exercícios tácticos, entre ou-tros. Portanto, o Ambriz é uma área propícia para a escola de fuzileiros.
R.M: Concorda com a afirmação, segundo a qual, esta escola pode ser um dos pólos de desenvolvimento da Marinha de Guerra Angolana (MGA)?
C.V: Certamente! Isto se tiver em conta as palavras do Chefe do Estado-maior, Almirante Augusto da Silva "Gugu", aquando do seu empossamento ele disse que a sua principal prioridade era a formação do homem. A escola tem de formar o homem para podermos cumprir com as missões do ramo com menos dificuldades.
A escola de fuzileiros, como um estabelecimento de ensino que garante o domínio das técnicas para cumprimento das missões do ramo, é sem dúvida um pólo de desenvolvimento da Marinha de Guerra.
R.M: Há condições de alojamentos condignos para os recrutas?
C.V: As condições de alojamento são boas. A Direcção do ramo está engajada a criar as estruturas necessárias para que a formação seja condigna. Porque a escola visa a construção de um homem novo. Temos casernas com meios e neste momento continuam as obras para alojamento de pessoal. Mas com as que temos agora, conseguimos responder com as necessidades do ramo.
R.M: O quê de concreto se ensina na Escola de Fuzileiros Navais?
C.V: Nós temos uma forma de ensino modular. A partir do momento em que o recruta entra na escola temos um primeiro módulo que visa inseri-lo à nova vida, a vida militar. Depois seguem-se outras fases, de acordo com as exigências da formação. Para os candidatos praças, temos a disciplina de organização militar, que é essencial para sua adaptação à vida militar. Visto que o recruta traz à escola hábitos de casa, ou seja, da vida civil. Este modelo tem como objectivo transformar o candidato para a vida militar. Para Sargentos, impõe-se disciplinas de liderança. Já para ofi-ciais, além dos módulos mencionados, há outros como a História militar, etc.
R.M: Neste momento, quais são os projectos que têm em carteira?
C.V: Os projectos a curto prazo visam continuar a construção das infra-estruturas da escola, para que consi-gamos responder à demanda. Depois disso, vamos procurar diversificar a nossa formação, para que possamos responder efectivamente às ou-tras necessidades que se referem à formação militar.
Vamos procurar também apostar na formação do próprio formador para que esteja em altura de corresponder com a política que está a ser concebida pela Direcção Principal de Preparação de Tropas do Estado Maior-General e da Direcção de Preparação Combativa da MGA. Portanto, é preciso pensarmos em quem vai ensinar e como vai ensinar.
R.M: O que significou para si a comemoração do 31ª aniversário da MGA na escola em que é comandante?
C.V: Para mim particularmente, o 10 de Julho na escola de Fuzileiros tem um significado de capital importancia visto que neste preciso momento a escola de fuzileiros constitui prioridade no plano de desenvolvimento, do ramo, porque é nesta escola onde se aprende o abc da vida militar.
R.M: Fala-nos um pouco do seu percurso militar até chegar a comandante da Escola de fuzileiros.
C.V: Entrei para as Forças Armadas a 4 de Março de 1988. Tive a primeira formação de quadrícula em Benguela. Depois disso, fui seleccionado para o curso de comandos no Autódromo de Luanda. Posteriormente, fui enquadrado na Marinha para fazer parte da força de fuzileiros. Fiz parte do primeiro grupo ou núcleo de comandos, que fundaram a força de fuzileiros, em finais da década de 1980 e princípio dos anos 90. em 1991 está força é desactivada e os seus efectivos foram integrados nos quadros da classe de marinha (oficiais) e os outros nos quadros da polícia nacional (UAT) sargentos e praças
Depois dos acordos de Bicesse, já em 1993, fiz parte do grupo que foi à Portugal para formação do curso de oficiais fuzileiros.
O meu percurso nas FAA foi caracterizado de momentos bons e maus, visto que em muitos momentos era necessário esquecer que tínhamos uma família que dependia de nós e cumprirmos com afinco a maior tarefa da defesa do país.
Dentre os graus militares ostentados, o que mais me marcou foi o de TTN, porque, este para além de o ter ostentado durante 10 anos contra os 6 de regra, temperou-me, representei a marinha em particular e as FAA em geral, julgo condignamente em diversas actividades operacionais (RDC) e em exercícios combinados (PORTUGAL) e como em diversos eventos internos entre os ramos.
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