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Ano 5 - Edição 11 - Jul/Ago/Set 2007 - Distribuição gratuita
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Angola aposta no reforço do poder naval
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EDITORIAL
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Tuapandula, Watalavaia, Amisako!

O 10 de Julho de 2007 foi coroado de êxitos, com mais uma divisa dourada. Terça-feira, às 11 horas, a radiação do sol iluminava a pacata vila do Ambriz.
Na Escola de Fuzileiros, as tropas em parada ansiavam pela leitura do expediente de Sua Excelência, Almirante Chefe Estado-Maior da Marinha, sobre a promoção. Embora já antecipado, a ansiedade, deixou no rasto o bater descompassado do coração.
O Capitão de Corveta "Félix", mal acabava de pronunciar os "Aspirantes", em simultâneo dei a voz de mando ao grupo que comandava: "firme, sentido, ordinário marcha, esquerda íris, marcar passo". A voz do outro lado ordena "alto, direita íris". Estávamos frente-a-frente à tribuna de honra.
O colectivo de generais e almirantes desceu os degraus e um deles energicamente me arrancou o "fardo" de 2º sargento que a 5 anos se transformou numa carga de cinco toneladas.
Diante da entidade máxima da Força Aérea Nacional, senti uma leve massagem nos ombros, aquando da imposição de patente. Um ar fresco vinha dos pulmões e libertava-se pelas narinas espalhando no ar o fôlego da vida. A cabeça junto ao pescoço gira no ângulo de noventa graus, o olhar estava sobre o ombro esquerdo, exibindo quatro divisas douradas com vértices para cima e uma âncora sobre o pano azul-escuro.
Na memória, veio a mensagem de Cristo, "pelos frutos os conhecereis," dentre os felizes estava: Simão Capanda, Broca, Caboco, Dobra, Matias apelidado "Bin-ladem", Luvualo, Cardoso, Patuv e o Afonso. Não houve hipótese, começou a festa, a verdadeira festa do 10 de Julho de 2007.
Liguei para família. A nóticia chegou. Ouvi os agradecimentos do meu pai, que se expressava na língua nacional umbundo "tuapandula, watalavaia, amisako!", o que quer dizer (obrigado, trabalhaste, prossiga).
No momento do cocktail, estavam as mesas arrumadas no novo edifício da escola, reservado para oficiais almirantes e convidados. Atrevido e emocionado me senti indife-rente, era o único sargento no recinto. Jornalismo também tem a sua banga! Vaidoso dirijo-me a servir, de repente: ta, ta, ta no ombro, uma voz baixinha nos ouvidos: "xiii... Senhor Sargento, aqui não é o teu lugar. Não vês que eu não estou a servir? Aqui é para almirantes e convidados. Vai servir lá do outro lado."
Era um capitão-de-mar-e-guerra. Encolhi-me com o meu pratinho que já tinha duas colheres de arroz.
Lá do fundo junto do balcão, apareciam três panelas. Novamente dirijo-me para servir a caldeirada. Posto a mesa passa por mim uma moça do protocolo "moça traga-me só uma garrafa de casal Garcia, por favor". não tardou estar na mesa o fresco vinho, junto do meu colega "Jingongó" repórter fotográfico, que perguntou-me: "o branco e o tinto qual é o mais forte?" Coube-me responder "o tinto, mas que gostava do branco."
A vida no sossego o mal te chama. Quando levantei para concluir a operação de servir o prato não fui poupado. "ta, ta, ta", no mesmo ombro sofredor, "ó sargento… sai fora!." Olho para reconhecer o dono daquela voz, azar, era o mesmo CMG, (suspiro), tive que abandonar a mesa deixando o prato já servido. Chefe, mas o vinho… (implo-rei) não podia deixar o copo e a pinga que restara na garrafa. "É pá… leva tudo" disse o capitão-de-mar-e-guerra.
No dia seguinte, é o da partida. Disponibilizado um autocarro para levar a Banda de Música.
Estava eu presente num grupo de jornalistas do (Jornal de Angola, Revista Marinha), o Comandante do Destacamento de Acções Especiais (DAE), mais ninguém. Tivemos de partir, nheque, nheque, nheque, nheque, era o grito da viatura a resistir a degradação da estrada. buracos daqui, buracos dali, numa velocidade de vinte a trinta quilómetros por hora.
O ânimo de chegar a Luanda serviu de tapa buracos, imitação de canções, piadas e sorrisos entre os ocupantes eram a base das cenas que nos serviam de amortecedor.
Por sinal o azar é sempre procurado, diz o ditado "quem procura acha." Isto é verdade, ao longo da caminhada, no meio da mata de plantas liliáceas, começaram o ataque das moscas. De repente, tio "Nando" solta um grito "mosca de sono," em simultâneo os ocupantes gritaram, "fechem os vidros".
No meio da mata nortenha, "Kalucuta", o motorista do autocarro vestido de macacão laranja, foi contando as suas aventuras nas terras distantes do sul de Angola.

 

 
 
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