revistamarinha@yahoo.com.br
 
 
Ano 5 - Edição 11 - Jul/Ago/Set 2007 - Distribuição gratuita
Clique para aumentar Manchete
Angola aposta no reforço do poder naval
SUMÁRIO
EDITORIAL
ACTUALIDADE
DOSSIER
GENTES & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
ENTREVISTA
REFLEXÃO
MEMÓRIA
CRÓNICA
ANCORANDO
DOSSIER
         
 
Ambriz, um breve adeus

Ao fim da tarde, a cerimónia oficial do 31º aniversário da MGA estava terminada. Era chegado o momento de preparar as "imbambas" para o regresso à Luanda. Nesta hora, o ambiente calmo de Ambriz, interrompido momentaneamente pela festa, parecia algo insuportável aos militares e civis acostumados com a azáfama e o ambiente quente da capital.
Havia no sítio de poiso (um autódromo improvisado) quatro helicópteros disponíveis para transportar oficiais superiores e a equipa de jornalistas. Entretanto, no momento em que chegávamos, o último helicóptero fazia voo sem algum passageiro a bordo. Desesperados, fizemos sinal com as mãos, com a buzina, mas todas as tentativas para fazer o piloto esperar foram infrutíferas. A contra gosto, fomos obrigados a passar mais uma noite no Ambriz.
Na manhã do dia seguinte, conseguimos uma boleia no autocarro que transportava a Banda de Música da Marinha. O regresso a Luanda acontece pouco depois das 9 horas. Na Avenida 11 de Novembro, as pessoas acenavam com as mãos em sinal de despedida. A medida que o motorista acelerava, Ambriz foi ficando até desaparecer ocultados pelos arbustos que ladeavam a estrada, depois de uma esquina que dava acesso à mata.
Mais de 180 quilómetros nos separavam de Luanda. A distância podia ser percorrida em menos de três horas. Mas, o mau estado da estrada retarda qualquer viagem de carro a esta localidade para sete horas. São enormes buracos que se estendem desde a poucos quilómetros da Barra do Dande até Ambriz.
Entretanto, viajar de carro tem a vantagem de proporcionar uma visão vislumbrante da natureza circundante. A riqueza da fauna e da flora local enche os olhos de orgulho e dó. A prática desenfreada de queimadas compromete o desenvolvimento sustentável da região.
Para piorar, nem mesmo a queimada consegue diminuir o surto da mosca tsé-tsé, que prolifera aos milhares, pondo em risco a vida da população. Mas não só da população, porque o risco se estende impiedosamente aos visitantes que se deslocam ao Ambriz. No interior do autocarro que nos transporta, onde penetraram de forma desapercebida, a luta contra este insecto é aguerrida. Enquanto uns pegavam em bonés ou casacos para afugentar as moscas, um dos integrantes da banda de música preferiu cantar alegre e descontraidamente, fazendo substituição a falta de reprodutor de som na viatura. Assim, uma viagem que se previa monótona e exaustiva, tornou-se cheia de gozo, até mesmo caricata se juntarmos a situação de alguns marinheiros que de tempo em tempo paravam a viagem para ir ao capim "fazer o maior". A festa foi tão boa que o excesso provocara disenteria aos mais descuidados.
Ao entardecer, depois de cerca de cinco horas de viagem, fizemos a nossa última paragem nos Libongos, nas pro-ximidades da Barra do Dande. Ali descansamos e fizemos compras para recordar a viagem ao Ambriz. Hora e meia mais tarde, estávamos a entrar em Luanda via Cacuaco. Aqui, a partir da estrada que dá acesso a Barra do Dande, cessa a exaustão provocada pelo balançar do autocarro face aos enormes buracos na estrada. e começa-se a gozar o deslizar da viatura em estrada reabilitada.
O ponteiro do relógio marcava 18 horas, quando che-gamos a Unidade de Fuzileiros da Vidrul, sito no município de Cacuaco. Era já noite. Ao longe, avista-se a Marginal com as suas lâmpadas iluminando a serena baía de Luanda. No interior do autocarro alguns acordavam calmamente, despertados pelo ambiente agitado da cidade. O habitual tráfego de viaturas dá-nos as boas-vindas e nos faz lembrar que estávamos de volta à cidade capital.
Na marginal, o Estado-maior da Marinha aguardava saudoso pelo regresso dos seus marinheiros. Mais uma vez, como os bons filhos, estavam de volta a casa. Depois de terem cumprido com êxito uma nova missão.

 

 
 
Todos os direitos reservados © 2006 Revista Marinha
Design: Design: rrinformatica - rrweb@walla.com