revistamarinha@yahoo.com.br
 
 
Ano 5 - Edição 11 - Jul/Ago/Set 2007 - Distribuição gratuita
Clique para aumentar Manchete
Angola aposta no reforço do poder naval
SUMÁRIO
EDITORIAL
ACTUALIDADE
DOSSIER
GENTES & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
ENTREVISTA
REFLEXÃO
MEMÓRIA
CRÓNICA
ANCORANDO
REFLEXÃO
         
 
"O nosso esforço será imediato"

Excelência Chefe do Estado Maior General das FAA,
Excelência Governador Provincial do Bengo,
Excelências Senhores Almirantes e Generais,
Excelência Administrador Municipal do Ambriz,
Senhores oficiais, sargentos, Praças e Trabalhadores Civis,
Senhores convidados,

Minhas Senhoras e meus Senhores,
Num dia como hoje, há precisamente 31 anos, as Forças Armadas do nascente Estado Angolano, saídos de uma guerra no decurso de 14 anos para a conquista da independência nacional e de uma luta interna denominada de " Segunda Guerra de Libertação Nacional", davam um passo de transcendente importância com a criação de um Ramo cujos primeiros especialistas formados na base Naval de Luanda terminavam o seu primeiro curso.
Eram jovens de tenra idade, muitos deles sem qualquer contacto anterior com o mar e outros praticantes de modalidades desportivas marítimas, sendo a maioria saídos da escola, movidos por um sentimento patriótico de servir o país na vertente da defesa da Pátria e que a partir daquela data ganhavam um instrumento valiosíssimo para poderem explorar os navios existentes e os seus meca-nismos técnicos e armamento.
Foi sem dúvidas um momento de glória, em que jovens angolanos que partindo do nada impulsionaram este Ramo onde praticamente ninguém possuía formação anterior em artes de marinha, pois que em Angola, durante o domínio português, quase nenhum angolano atingiu postos de oficial na Armada.
A frota naval que na altura possuía um número razoável de embarcações, entre patrulhas e Lanchas de desembarque, foi acrescida de novos navios dotados de maior poder de fogo e capacidade de desembarque de homens e técnica.
O armamento torpedeiro e de mísseis para além dos Navios de
Desembarque Médio dotados de artilharia reactiva fizeram com que a
Marinha marcasse uma presença no mar de inestimável valor com
tripulações formadas no estrangeiro, saídos do país antes da independência
e logo após a formação da Marinha e do Centro de Especialistas Navais em Luanda.
Infelizmente, a juventude e inexperiência foram a causa de desaires em que se perderam ao longo da história alguns navios em acidentes marítimos e outros foram vítimas da obsolescência pela longevidade das unidades navais.
A Marinha, que de início apenas estava baseada em Luanda, aos poucos foi-se expandindo por outros pontos do território, nomeadamente em Cabinda, Soyo, Porto Amboím, Lobito, Namibe e Cuito Kuanavale e mais recentemente aqui no Município do Ambriz.
Se em alguns pontos herdamos estruturas deixadas pela Armada Portuguesa, noutros, acomodamo-nos em instalações que antes tiveram destino diferente e noutros ainda, partiu-se do nada, ou quase nada, como é o caso desta Unidade.
A partir dos anos 90, a Marinha conheceu um grande decréscimo na sua capacidade combativa, pois que os navios herdados e adquiridos posteriormente tinham atingido o seu limite de vida ou acidentados e as novas aquisições pouco representaram no aumento da nossa capacidade para além de apresentarem problemas a nível dos meios propulsores e que felizmente graças a uma acção de remotorização e consequente reparação capital, poderão dentro em breve voltar ao estado de armamento.
Excelências, Minhas Senhoras e meus Senhores, uma marinha faz-se com homens, navios e infra-estruturas.
Do ponto de vista do homem, acções mais ousadas devem ser realizadas no domínio da formação de quadros e de especialistas intermédios e menores.
A Marinha deverá no futuro voltar a formar quadros em quantidade e hoje com maiores condições de enveredar na qualidade pelo nível de escolaridade e conhecimentos que possuem os nossos jovens.
Deverá assim mesmo levar a cabo a formação contínua dos quadros e especialistas existentes e apetrechar convenientemente os Centros de Instrução, quer os de Fuzileiros Navais, em cujo local nos encontramos, como o de Especialistas Navais, recentemente transferido para o Lobito, na pequena povoação de " Praia Bebé", onde recentemente teve início o primeiro curso.
No tocante aos Navios, grandes investimentos são aguardados a fim de dotar o Ramo dos meios capazes de assegurar a defesa das águas nacionais, onde o Estado detém a sua plena soberania, como dos espaços onde possui uma quase soberania, estendendo-se às 200 milhas náuticas.
Para além disso, está chamada a garantir a segurança da navegação dos navios, que entram ou saem das nossas águas transportando o crude e parti-cipando com outros países na defesa do espaço denominado de "Golfo da Guiné", uma rota bastante importante para a navegação marítima e da qual Angola para além de membro preside a recém formada organização.
Esta responsabilidade, exige navios com maior autonomia, das classes de corvetas, fragatas e equivalentes, para além de um sistema de armamento capaz de atingir alvos marítimos de superfície ou submarinos e aéreos.
Fazemos menção aos investimentos realizados no âmbito do sistema de vi-gilância costeira em curso onde estaremos em condições de monitorar o tráfego marítimo dentro da nossa Zona Económica Exclusiva.
No âmbito das infra- estruturas, todas as unidades da Marinha necessitam adoptar-se á sua estrutura orgânica e garantirem o mínimo de funcionalidades para além de oferecerem à tropa melhores condições de aquartelamento com casernas bem equipadas e organizadas e refeitórios e messes condignas minorando os efeitos da dureza do serviço militar.
Neste ponto, o nosso esforço será imediato, pelo respeito que o homem nos merece e pela importância que tem o bem estar da tropa para o cumprimento exitoso das suas tarefas e para cimentar a disciplina.
Tudo faremos para melhorar as condições de vida de todo o pessoal, desde as condições de habitabilidade condições de recreação, de desenvolvimento cultural e científico.
Excelências,
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Este ano elegemos a escola de Fuzileiros Navais para albergar esta data tão simbólica para a Marinha.
Este centro de Instrução, forma os nossos Fuzileiros Navais, com elevados padrões de qualidade e forma igualmente fuzileiros para países vizinhos.
Para além das missões cumpridas por este tipo de forças durante as acções combativas no país e nos países limítrofes, cumpriu igualmente missões em tempo de paz, no resgate a vítimas das calamidades naturais.
Esta unidade encontra-se ainda em construção com recurso à empreiteiros e à mão de obra interna.
É meritório o apoio que nos tem sido brindado pelas autoridades locais e desde já nos colocamos ao Vosso dispor para colaborar com as estruturas locais, sobretudo no âmbito da assistência médica.
Agradeço a Excelência o Chefe do Estado Maior General das FAA, general de Exército Francisco Pereira Furtado pela sua presença.
Agradeço a Excelência o Governador provincial do Bengo que muito nos honra em ter acedido o nosso convite.
Agradeço a presença de todos os convidados que vindos de Luanda ou mesmo aqui da Província e Município, quiseram compartilhar este momento importante.
Agradeço as mensagens que nos foram endereçadas por ocasião desta data por Excelência o CEMGFAA, meus homólogos e outras entidades. Desejo a todos os almirantes, oficiais, sargentos, Praças e Trabalhadores Civis da Marinha um feliz aniversário.
Desejo a todos muita felicidade.

Muito obrigado.

 

 
 
Todos os direitos reservados © 2006 Revista Marinha
Design: Design: rrinformatica - rrweb@walla.com