O tapete verde no compão-lobito
CMG. João da Cruz Sangueve
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Quando se ouve falar de “Empate” é porque estamos em presença de uma competição desportiva. O jogo, esta expressão, signo de um ambiente lúdico e cultural e empolgante.
Autororamente, como dizia um velho amigo, numa das aulas de Marxismo-leninismo, tínhamos como tema: “A teoria e a prática”.
Recordo-me, bem fresquinho, como se fosse hoje, o Sr. CMG – José Maria de Lima, actualmente colocado no Instituto de Defesa Nacional, pode confimar isso... Dizíamos assim, aliás dizíamos não, porque era um paradigma que a “prática é o criterio valorativo da verdade. Significa isto dizer, que a prática é mais que a teoria. Tínhamos fortes discussões, em procurar saber, quem é melhor! Aquele quem tem prática ou aquele que tem teoria? Lá está. Também diz-se que a teoria sem prática não é nada. E a práctica sem teoria é empirismo.
Mas tivemos um Tenente-de-Navio cubano – Chefe do DC – 5, de uma Lancha Porta – Mísseis. O camarada te dizia, só pelo roncar do Navio e a uma distância de 5 milhas: oye–me aquella lancha tiene eso o aquella otra cosa. “É prática que ele tinha. Ele identificava as avarias, àquela distância, o que o navio tinha pelo simples auscultar do ruído das máquinas.
Este intróito vem a propósito de uma pergunta que se faz a um treinador de futebol–11. Diga me lá, quando é que da? Um mais um. Se rodeios disse “um e um é empante” empate. Ele dizia imbuido de pratica que transportava nos seus ombros, sem manchas. E eloquentemente explicava assim a sua prática.
Um e um é empate. Porque suponhamos: duas equipas de futebol, uma marca um golo contra a outra e esta outra também marca. Então um de de uma equipa e o um golo da outra equipa, não é empate? É empate sim senhor!
Vezes sem conta, só dizer-se que um jogador não pode bater um canto, cabecear e marcar o golo simultaneamente.
Estamos sempre a subir, sempre a subir; este cantor é bué “o Virgílio Fay”. Nô pôde, as Zonas Marítimas ficaram para trás, agora o que está a bater mesmo é região, no nosso caso “Região Naval Sul. Wé
Mas aqui, pai, no Dubai de Angola – Lobito, macanha! Temos um camarada, o nome dele fica em off, é tarefa do leitor descobrir o enigma.
Esse camarada, recentemente, adquiriu a sua viatura cujo motor se alimenta de gasolina. Ele segredou-nos que a fortuna dele estava toda aí. Um investimento de longo prazo. Tratava a mesma como se fosse uma namorada ou como um ovo.
O exercício que o camarada faz diariamente deixa-nos atónitos. Em primeiro lugar, lava a viatura usando um balde amarelo e produtos de um kit de limpeza que exclusivamente comprou na loja Shoprite local.
Depois, põe o carro a trabalhar, durante dez minutos ou mais. Em seguida, vai tomar o pequeno almoço.
Às 07 h 30, altura de partir do Compão para a Restinga, liga o carro com o motor já aquecido e demora mais uns dez minuto, porque? Só ele sabe.
Depois do serviço para almoço, o ritual é o mesmo. É que, todas as vezes que entra no carro o exercício se repete; é malhação autêntica. Segundo as suas explicações técnicas, é para lubrificar o motor.
Normalmente, as pessoas abalizadas no funcionamento dos motores, vêm o estado dele, pelo fumo do tubo do escape. Não sabemos quem aconselhou o dito cujo camarada. De amanhã quando liga a ignição, ele acelera e sai a correr para traseira da viatura. Objectivo, ver o fumo que sai do tubo de escape. É incrivel.
Ele é um dos últimos a adquirir o carro. Quando trouxe o carro, deu duas cam- balhota no jardim da Messe dos Oficiais do Compão e disse: agora “empatamos”! As coisas com a viatura são diferentes, já fui comprar o gás de cozinha. Agora vou comprar peixe seco, verduras e fuba de bombó. Empatamos. Só não houve empate no lubrificar o motor. Que pena!
A pergunta pela demora da marcha, ele responde: está a lubrificar. Você que apanha boleia com ele está frito. Sentadinho, a espera que a operação acabe. E nesse inte-rim, da lubrificação, passa uma escova que se parece ao rabo-de-cavalo no tablier e os boleantes sentados como de fosse numa igreja, na homilia com Bispo Dom Anastácio Cahango. Por um lado é chato, o tempo que impõe aos outros, os boleantes, mas por outro lado é bom porque assim está cuidando da sua máquina e pelo que parece está fazendo já amatriz cultural e hereditária para a futura geração na linha genealogica familiar.
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