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Ano 5 - Edição 13 - Ago/Set/Outubro 2008 - Preço Kz 250,00
Destaques de capa
Fuzileiros Navais e os "NINJAS" treinam combate ao terrorismo
- Empresa Coreana faz entrega de lanchas da classe Mandume
- Marinhas da CPLP procuram reforçar cooperação
- Marinha do Brasil reage à reactivação da quarta frota Americana
+ MEMÓRIA
 
 

Reencontro de dois antigos guerrilheiros

TNAV- Kit-Carson

Entre sorrisos e abraços aconteceu o reencontro entre dois generais que conviveram e partilharam alegrias e as vicissitudes da luta de libertação angolana na década de 60. Um era instrutor e o outro instruendo.
Nessa altura, o Almirante Augusto Sebastião Lopes “Roca Monita” tinha os seus 18 anos e não sonhava ser almirante da Marinha. Mas quis assim o destino. Depois de muitos anos encontra-se hoje na Marinha onde exerce o cargo de Chefe do Estado-Maior Adjunto da MGA.
Era o reencontro emocionante depois de longos anos de ausência, durante os quais muitos se foram do mundo dos vivos. Húmidas lembranças dos camaradas SKS, Rui de Matos e outros contemporâneos daquela época da guerrilha angolana. Reviveram alguns momentos dessa odisseia contra os colonialistas portugueses. Entre risos, as recordações foram-se actualizando e algumas palavras de reconhecimento e gratidão escaparam do fundo do coração do Almirante: “Hoje, se aqui estou e o que sou, graças aos ensinamentos que recebi de vós durante a guerrilha. Graças às vossas lições, nos tornámos homens. A Independência angolana foi conquistada com armas na mão e muito sacrifício. Vocês nos ensinaram a combater e nós lutámos pela Independência deste país, vocês ajudaram para que Angola fosse independente”.
O Almirante Roca Monita na qualidade de anfitrião desejou boas-vindas ao Brigadeiro General, Rafael Moracén Limonta “Quita Fuzil” que veio substituir o Coronel Jorge Vizcaino Beldarrain no cargo de Adido de Defesa da República de Cuba em Angola.
“Não temos muitas palavras, apenas dizer que se sinta à vontade, pois já conhece bem Angola, conhece todos os caminhos e picadas. Só nos resta dizer, mais uma vez seja bem-vindo e se sinta como em vossa casa. Nós estamos de braços e portas abertas a qualquer momento, no entanto eu sei que não terá muitos problemas. Já cá esteve, tem estado aqui várias vezes. Nós nos sentimos orgulhosos em voltar a vê-lo.
Para o Adido cessante o Coronel Beldarrain desejou-lhe bom regresso a Cuba e êxitos nas novas tarefas a desempenhar no Exército Cubano finda a sua missão em Angola. “Os militares normalmente nunca se despedem, a qualquer momento nos poderemos encontrar e qualquer parte” e pediu que o Cor. Beldarrain transmitisse aos demais camaradas que já aqui estiveram a saudade dos marinheiros angolanos”.

Brigadeiro Pita deseja êxitos à MGA
Mensagem extraída do livro de honra:

Quero fazer constar que fui recebido no Estado-Maior da MGA, por um companheiro Almirante histórico da luta e aluno de instrutores Cubanos da guerrilha Angolana dos anos 60. Hoje, com admiração e respeito, depois de terem a Independência, me recebe na Marinha de Guerra Angolana como Chefe do Estado-Maior Adjunto, frente a frente, forte e vigoroso como em Brazzaville.
Desejo muitos êxitos à Marinha de Guerra Angolana e ao camarada Almirante Lopes “Roca Monita.”

Brigadeiro General, Rafael Moracén Limonta
Luanda, aos 17/04/2008.

O Brigadeiro General Pita Fuzil foi um dos primeiros Internacionalistas Cubanos que Cuba deu a missão de ajudar Angola na luta contra os colonialistas portugueses. Participou na luta de guerrilha e presenciou a cerimónia de proclamação da República Popular de Angola.

Eis a entrevista:
RM- Qual foi a sua última função no Exército cubano?
Antes de aqui vir eu exerci a função de Presidente da Associação dos Combatentes da Revolução Cubana.

RM- Qual é a impressão que tem de Angola depois de muito tempo de ausência?
Esta Angola de hoje está bastante mudada. Acompanhei o processo da vossa luta e tenho acompanhado o desenvolvimento de Angola durante estes anos de paz e apenas me resta dizer que Angola está no bom caminho.

RM- Uma palavra aos militares angolanos da Antiga e nova geração!
- Digo que também sinto a satisfação de uma vez mais ser designado para trabalhar aqui e o que peço é que vocês antigos combatentes e a nova geração de combatentes, possam ajudar-me para poder correctamente cumprir a minha missão, sobretudo no que se concerne ao fortalecimento da amizade entre Cuba e Angola.

Emoções à flor da pele

O Coronel Jorge Vizcaino Beldarrain ao despedir-se, agradeceu e reconheceu quão grande foi o apoio que lhe fora prestado durante os quatro anos que permaneceu como Adido de Defesa de Cuba. “Regresso a Cuba com amor, recordações e sobretudo com a dor de ter de abandonar esse país do qual tenho muito carinho. Suas palavras, Sr. Almirante, foram muito sinceras, tanto aqui como em Cuba ou em qualquer parte do Globo, seremos os mesmos, continuaremos a ser irmãos.
Estarei sempre pronto em voltar a Angola e se assim o quiserem.

 
 
 
 
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