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Ano 5 - Edição 13 - Ago/Set/Outubro 2008 - Preço Kz 250,00
Destaques de capa
Fuzileiros Navais e os "NINJAS" treinam combate ao terrorismo
- Empresa Coreana faz entrega de lanchas da classe Mandume
- Marinhas da CPLP procuram reforçar cooperação
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+ PERFIL
 
 

“Consegui concretizar o meu sonho”

TNav- Kit-Carson

A Capitã-de-Corveta, Armanda Changundi Sawapata, 42 anos, natural do Bié, é uma das muitas mulheres que buscou na Marinha a concretização de sonho. Cedinho ela já estava mergulhada nos seus afazeres, mas com delicadeza expressa por um sorriso acedeu ao convite para falar um pouco de si. Falou da família, do percurso e da convivência com os colegas de trabalho. Siga a entrevista!

RM:- Como se chama e onde nasceu?
CCV-ACS:- Chamam-me de Armanda Changundi Sawapata e nasci em Camakupa, na província do Bié, no dia 23 de Agosto do ano de 1966. Sou a terceira, dos sete filhos que minha mãe teve. Nasci numa família de camponeses e orgulho de ser filho daquela família, pois tudo quanto tenho e sou deles herdei.

RM:- Changundi e Sawapata que significam esses nomes, já que em África todo nome tem um significado?
CCV-ACS:- Changundi não lhe vou poder responder, pois nem minha mãe me soube explicar o seu significado. Apenas sei que a minha mãe teve muitos problemas de natalidade, daí lhe atribuírem esse nome. Acho que tem qualquer coisa a ver com os desafios da natureza, não sei. Só sei que minha mãe foi filha única da minha avó. Mas, Sawapata, segundo palavras de meu pai trata-se de uma família enorme..

RM:- Há quanto está nas Forças Armadas e como veio parar à Marinha?
CCV-ACS:- Encontro-me nas Forças Armadas a uns Dezoito anos. Vim parar às Forças Armadas porque, após terminar o meu curso médio na província apenas tinha duas opções: trabalhar nos municípios ou ingressar nas Forças Armadas e sair da Província. Mas como queria conhecer outros pontos desta bela, rica e imensa Angola, optei pelas forças armadas e assim pude sair da província.

RM:- Por que a Marinha e não outro ramo das Forças Armadas?
CCV-ACS:- A escolha não foi precisamente a Marinha, pois a princípio pertenci ao Exército, tanto mais que a minha colocação foi na 1ª região Militar(Uíge), onde funcionei durante três anos. Em 1993, consegui uma vaga na Marinha e aqui estou.

RM:- Sofreu influência de alguém para optar pela carreira militar ou foi por vontade própria?
CCV-ACS:- Não! Sempre quis me ver na pele de uma mulher militar, pois sempre que visse uma mulher fardada, me sentia honrada e decidi ser militar um dia e quando essa oportunidade me surgiu não a fiz escapar. Até porque sou a pioneira da família nesta senda militar e só assim vieram seguindo os demais. Consegui concretizar o meu sonho e tenho gostado imenso de me sentir militar.

RM:- Como consegue conciliar as duas coisas, ser militar e mãe?
CCV-ACS:- Na vida tudo quando queremos algo, conseguimos conquistar. Ser mãe e ser militar são duas coisas que se adaptam uma a outra com facilidade, pois nenhuma delas atrapalha a outra. Uma confidencia…quando nos conhecemos já eu era militar daí ele aceitar-me como tal e acostumar-se com a ideia e nós temos uma relação amena, não tenho queixas dessa parte.

RM:- Fale um pouco sobre o seu trabalho, gosta do que faz?
CCV-ACS:- Olha, eu sempre quis trabalhar com vidas humanas, acho que tenho essa vocação. Eu não gosto de ver as pessoas a sofrer. Entrego-me aos meus pacientes de coração e alma e acho que é a maneira que eu encontrei de ajudar o próximo, ajudá-los no que posso. Resumindo, gosto do que faço, sim.

RM: - Qual é a sua maior ambição como oficial das FAA e da Marinha, em particular?
CCV-ACS: - Crescer cada dia mais, profissionalmente, é claro. Não quero ficar estagnada. Anseio atingir altos patamares na carreira militar. A idade ainda me oferece essa oportunidade, mas o que poderá ditar esse percurso é o fruto do meu trabalho e das habilidades nele demonstrados, mas contentar-me-ia se conseguisse chegar ao grau de Capitã-de-Mar-e-Guerra. Chegando aí, já me sentiria realizada, pois geralmente é aí aonde termina a carreira militar. Se conseguir ultrapassar esse grau, sorte minha.

RM:- Recentemente terminou uma formação militar no ISEM, de quantas já beneficiou?
CCV-ACS:- Desde que me encontro nas Forças Armadas, já beneficiei de duas: a primeira, foi uma espécie de refrescamento, e a segunda foi esta no ISEM. Foi de bastante valia para mim e é um privilégio para um oficial passar ali e aprender algo mais sobre a arte militar. Em suma, foi bom viver aqueles momentos de angústia antes dos resultados de uma determinada prova saírem, as alegrias de ter acertado em 80/75% das questões de uma prova, enfim foi uma experiência e tanto.

RM:- Durante o ano lectivo, apenas três senhoras ali estiveram, conte-nos como foi essa convivência entre os colegas?
CCV-ACS:- Para mim, o curso correu muito bem. Digo bem porque, tive o privilégio de estudar na companhia de alguns colegas de outras nacionalidades como Cabo-Verde, Congo Brazzaville e Zimbabwe. Na turma, o relacionamento foi dos bons, cada um preocupava-se com o outro, havia um espírito de inter-ajuda. O facto de ser uma das melhores, isso não significa muito, o importante foi que todos nós chegámos até ao final do curso e conseguimos trazer um diploma. Eu dedico a distinção que consegui a todos os colegas da turma, pois todos nós demos o nosso máximo e nos esforçámos para conseguir chegar até ao fim. Pessoalmente, digo que alguém tinha que ser privilegiada com aquela distinção e como a escolha coube-me a mim, fiquei muito grata.

RM:- Como a sua família recebeu essa distinção?
CCV-ACS:- Em casa, foi um dia de Champanhe. Depois da cerimónia de encerramento liguei para casa a anunciar que terminara o curso com distinção e ao chegar em casa encontrei o champanhe à minha espera. Foi dia de festa com a família.

RM:- A sua dedicação e distinção ao curso fez com que Sua Excelência o Almirante CEMM a louvasse, conta-nos como se sentiu?
CCV-ACS:- Senti-me orgulhosa e honrada, pois ser a única mulher a receber tal distinção num horizonte de dezenas de homens do meu curso foi bastante dignificante. Senti os olhos embaciarem-se de lágrimas de tanta emoção. O Louvor e o estímulo por parte do CEMM, só tenho a agradecer, pois, trata-se do reconhecimento do esforço exercido pelo oficial durante a sua formação e por levar avante a imagem do Ramo. Nesta era da informática ter um Lep-Tpo é um luxo e sonho de muitos estudantes e também da gente de negócios. Mais uma vez tenho a agradecer, pois sei que me vai ser de muita valia. Obrigada de coração.

RM:- Gosta e acredita nas previsões do seu signo?
CCV-ACS:- Acredito e gosto. Só que o meu signo não conjuga com o do meu marido, mas isso são as previsões dos astrólogos, na realidade nós somos uma família muito feliz.

RM:- Filhos?
CCV-ACS:- Dois filhos, um casal de 10 e 4 anos .

RM:- Como ocupa os tempos livres?
CCV-ACS:- Gosto muito de ler. Não tenho preferências, um bom livro ou romance servem.

RM:- Comida preferida?
CCV-ACS:- Funge de cabuenha de sumaté feito à maneira típica da região biena.

RM:- Música preferida?
CCV-ACS:- Romântica.

RM:- Cor Preferida?
CCV-ACS:- Preta.

RM:- Perfume:
CCV-ACS:- Perfume masculino – Paco

RM:- Virtude
CCV-ACS:- Fazer o bem

 
 
 
 
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