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Ano 5 - Edição 14 - Ago/Set/Outubro 2008 - Preço Kz 250,00
Destaques de capa
Mulheres embarcam no projecto de uma marinha moderna
- Golfo da Guiné e a defesa dos seus interesses vitais
- Angola reassume presidência das marinhas da SADC
- Quem foi Napoleão Bonaparte?
- Marinheiros vencem jogos militares no Luena
+ CRÔNICA
 
 

A bebedeira

CMG. João da Cruz Sangueve

 

A linguagem é a universalidade dos símbolos. O símbolo, na teoria significa a figura ou a imagem que serve para designar alguma coisa, quer por meio do desenho, da pintura ou da escultura, quer por meio de expressões figuradas.
Está Nhanhado, está tibado, está de cara cheia são expressões que nos remetem à caracterização do indivíduo alcoolizado. Está chocho.
A Nhanha de facto serve para alguns, como se diz na gíria, um estimulante à pessoa humana, assim como o jindungo na comida faz o mesmo papel. Embora, muito jindungo leva o indivíduo a lagrimar à semelhança de um Cubano que dizia “Nosotros em Cuba también tenemos jindungo”
Então lhe deram um jindungo para se desgustar. – Mas aquele jindungo que leva o nome de “Cahombo” rapaz, o cubano depois de um tempo começou a lagrimar e perguntado sobre as lágrimas ele dizia: Oye-me “estoy lagrimando porque siento muchas saudades de Ché-Guevara”.
Muita Nhanha também já não serve como estimulante. Transfigura a pessoa, perde apetite – fica magrinho. Se começa a Nhanha 6ª feira; Sábado pede bis, Domingo em vez de ir à missa, ao culto, vai a Aldeia Olímpica, Lanchonete. E, 2ª feira se trabalha; adeus serviço porque fica com o que se chama “ Pelenguela”, ó mano, pelenguela – aquilo é como um paludismo daqueles do tipo campo aberto – você a dormir os órgãos motores não conseguem comandar o corpo. Canseira é consigo, transpira como se estivesse ao lado de um forno a fazer pão. E a Nhanha não pára por aí, não. Quando a pessoa esta nhanhada, tudo aquilo que a memória depositou no subconsciente, é rebobinado, fala tudo, sai fora. A pessoa tímida vira logo um “Relações Públicas”. E é nhanhado que a pessoa passa a sua imagem, o seu ID, o seu Ego, o seu Super-Ego a todos, sobretudo aos chefes.
Vezes sem conta, o nhanhado vive de kilapes, por falta de um planeamento equilibrado. Saindo do Bom Pouco Com (BPC), o destino da dita cuja bufunfa é para os credores. Esses credores não são fornecedores de bens duradouros ou seja electrodomésticos, etc, etc; e nem tão pouco credores da cesta básica. São: Imagine caro leitor! São fornecedores das grandes marcas: SuperBock, Cristal, Hieneken, Cuca, Quilmes, Fresco, Gaivota e por aí ou dos mais rápidos. Drin Gin, Brandy Quileva e inclusive descemos até á indústria Nacional – Capuca.

A Nhanha no nosso seio tem um efeito desastroso:

1- A Pelenguela ou Ressaca: a pelenguela, num estado comparado na área de saúde, manifesta-se como um paludismo forte – campo coberto. O indivíduo não reage aos comandos dos órgãos sensoriais ou motores. Não consegue levantar, transpira que nem um padeiro diante do forno.
2- Geralmente o negócio começa 6ª feira à tarde, sábado é com ele, Domingo empata com a missa Dominical e com os Calúlús.
3- 2ª Feira, 3ª Feira, 4ª Feira e 5ª Feira, o camarada trabalha mentalmente em casa sobre a aldrabice que vai enfiar ao Chefe.
- A criança estava doente – como se ele fosse médico;
- Tive Conjuntivite;
- Forte diarreia – que não lhe permitiu sair de casa, devido a via-sacra que aquela doença impõe aos crentes;
A Nhanha é fixi mas, os seus efeitos colaterais são terríveis: Assistiu-se a um caso inédito em que o nhanhado em plena formatura começou a dar a ré, numa velocidade igual a das chatas a remo.
Na formatura pensou-se logo que fosse doença de gota. Não, pai é fruto do puro … O outro, 2ªa Feira, em plena Messe estava a jogar Pingue-pongue com os talheres. Parecia que tinha aquela doença do Papa Dom João II, (Parkinson), afinal não é, simplesmente era a nhanha. Possa – pá, esse campeonato é duro.
Evita-se, até chamar as coisas pelos seus nomes próprios. O que mais usualmente se diz é que possa pá, ontem o ambiente foi fixi. Ontem, estava a conviver ……. Beleza, que haja convívios! Mas que pratiquemos a introspecção.

 
 
 
 
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