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Ano 6 - Edição 15 - Maio/Junho/Julho 2009 - Preço Kz 300,00
Destaques de capa
Marinha captura três embarcações perto de Luanda
- Marinheiros resgatam flagelados do Cunene
- Americanos querem apoiar montagem do sistema de observação costeira
- Posição estratégica do Soyo atrai marinheiros
- Efectivos das FAA movimentam radionovela "Camatondo"
PERFIL
 
 

Sonho um dia voltar e participar na reconstrução

   

A tenente Joana Nogueira chegou em Fevereiro de Portugal para participar no ciclo de formação na Escola de Especialistas Navais, na Praia Bebé, Região Naval Sul. No seu primeiro contacto com a realidade do país, ela diz sentir-se apaixonada pela hospitalidade e simpatia dos angolanos. Na sua curta estadia de cerca de um mês, procurou conhecer o máximo que pôde de Angola, país que, segundo suas palavras, passou a fazer parte dos seus projectos futuros.
“...As grandes coisas vão ser contadas pessoalmente quando chegar a Portugal”

RM: Como é que surgiu essa possibilidade de vir para Angola?
Eu não sei dizer exactamente todos os procedimentos que levaram-me até aqui. Angola e Portugal estabeleceram um acordo de cooperação neste âmbito, portanto foi apenas solicitar a colaboração de alguém de Portugal. Vir para Angola é boa oportunidade e única para enriquecer-se, quer pessoal quer profissionalmente.

RM: Como recebeu a notícia sobre a viagem?
Realmente foi uma boa notícia chegou à hora do almoço. Depois foi só gerir. Liguei para a casa e comecei já a pensar na preparação das coisas para a viagem.

RM: Antes da notícia da viagem tinha algum contacto com Angola?
Sim , apenas de leituras. É um país lusófono, portanto a minha viagem constituiu uma oportunidade para conhecer os laços seculares estabelecidos entre a cultura dos dois povos.

RM: Que informações mais tinha sobre Angola antes de desembarcar em Luanda?
Não tinha a ideia exacta, já sabia que muitos portugueses estavam a trabalhar aqui. Pouco menos, eram ideias vagas. Vim completamente disponível para descobrir, para conhecer tudo, para viver.

RM: Pode contar esse momento emocional de chegar a Luanda? Como é que foi isso?
No próprio dia, já no embarque em Lisboa já estava em apuros, pois estava sempre à espera de chegar. Segundo, a viagem foi tranquila, mas tive de enfrentar sete horas de avião. Sete horas de espera. Mal pisei o chão do Aeroporto “4 de Fevereiro”, comecei a sentir aquele ar quente... e depois foi olhar para tudo e mais alguma coisa e tentar me ambientar. Mas não estranhei.

RM: E teve contactos com angolanos em Portugal?
Curiosamente antes de vir para cá estive com alguns angolanos de quem obtive algumas informações, mas sempre insuficientes para satisfazer o interesse e a urgência de quem pretende viajar pela primeira vez para um país.

RM: O que é que aconteceu no primeiro dia após a sua chegada?
Nesse dia tive já o contacto com as pessoas da Marinha de Guerra Angolana. Fomos à Base Naval de Luanda e aí tive o contacto com oficiais da referida unidade, tendo sido bem recebida. Portanto, já comecei a me ambientar e a conhecer melhor a realidade da Marinha angolana.

RM: O que é que contou aos teus pais?
Olha, ainda não contei muita coisa, porque não temos falado, mas liguei e disse que já tinha ido à praia, que estava tudo bem e estou a gostar. Não temos falado muito, porque o telefone fica um bocadinho caro, a opção tem sido a Internet, mas as grandes novidades, as grandes coisas vão ser contadas pessoalmente quando chegar a Portugal.

RM: Qual é a sua próxima actividade aqui na escola?
É dar formação pedagógica dos futuros formadores da Marinha de Guerra Angolana. A grande finalidade do curso é dotar os formandos com as competências para desempenhar a função de formador. Portanto, o objectivo é transmitir os métodos de estudo e técnicas a utilizar, os recursos didácticos. Abordar a função do formador do ponto de vista da formação. Depois teremos trabalhos práticos, simulação de uma acção de formação. Procurarei fazer com que cada aluno tenha contacto com a realidade da área pedagógica que lhes possa garantir alguma competência no exercício das suas funções.

RM: Como é que tem avaliado o desempenho dos alunos?
Bastante bem, estou bastante satisfeita com o desempenho, com a participação e a motivação dos formandos. Temos um grupo muito numeroso que é composto por 38 formandos, todos eles bastante empenhados, participativos. É com enorme satisfação que eu estou a ministrar o curso em parceria com o comandante Pires Ramos.

RM: Como avalia a relação com a direcção da escola?
Está tudo a correr bem, fui bem recebida e as condições têm sido adequadas para a execução das minhas tarefas.

RM: Parte dentro de pouco tempo. Que lembranças levas?
Com certeza vou partir com tristeza. Sentirei saudades das pessoas, do calor humano, da hospitalidade e da simpatia das populações. Levo imagens de um país em paz e em franco desenvolvimento. Adorei.

RM: Já com Angola na memória, quais os seus projectos?
Nunca descartei a hipótese de ir trabalhar num outro país e sinceramente , a África estava nos meus planos, sobretudo países como Angola e Moçambique. Apaixonei-me por Angola e sonho um dia voltar e juntar o meu esforço na reconstrução do país.

RM: Sei que veio trabalhar no regime de contrato, como é esse regime de contrato?
Podemos renovar até 6 anos. Agora estou há 2 anos e uns meses, se a Armada Portuguesa abrir vaga na minha área eu concorro, concorrendo posso entrar, como não entrar e terminar o contrato e regressar à vida civil e aí ter de recomeçar novamente a procurar um novo emprego. Angola vai fazer parte dos meus projectos.

RM: Como é que olha para a inserção da mulher na Marinha Angolana?
Dos contactos que estabeleci com algumas militares deu para perceber que elas se sentem bem e felizes. Homens e mulheres estão lado-a-lado na edificação da Marinha. Isso é muito importante. Esta relação permite que eu me sinta igualmente bem trabalhando na Escola de Especialista situada na Região Naval Sul.

RM: Gostou da gastronomia nacional?
Sim, gostei do funge de calulu.

PERFIL Nome: Joana Maria Nogueira
Local de Nascimento: 11 de Março de 1982
Filiação: António Pereira Nogueira
Mãe: Maria Isabel Moreira Pinto Nogueira
Habilitações: Curso Superior em Ciência da Educação.
Naturalidade: Marquinavenses, distrito do Porto
Estado civil: solteira
Tempos Livre: passear, ler, ouvir música, praticar desporto, gosto de correr para me manter em forma
Virtude: sou uma pessoa amiga e simpática.
Defeito: teimosa e muito orgulhosa
Prato: bacalhau assado
Bebida: água
 
 
 
 
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