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A voz da informação política da MGA
| CFR. Augusto Lourenço |
CCV Vidal Nobre |
Em que área trabalhava o Capitão-de-Corveta Vidal Nobre? Nem eu mesmo sei com precisão! Era mais conhecido como o homem que emprestava a sua voz às informações políticas em todas as sextas-feiras.
Atraído para trabalhar na Revista Marinha, frequentou o curso de jornalismo e assumiu a chefia da Redacção. Era um homem de muita acção, sendo por isso chamado para cumprir as mais variadas actividades na Direcção de Educação Patriótica. Era “pau para toda obra”! Um “comissário político” nato e sempre disponível para novos desafios.
Nessa condição, deixou suas marcas na Unidade de Fuzileiros Navais, na Escola de Especialistas da Praia Bebé e na Escola de Fuzileiros do Ambriz. Todos o conheciam. Conversava com todos e tinha muitas histórias para contar. Viveu a vida com a intensidade que ela recomenda. Respeitou a sinalização e ensinou a caminhar na passadeira da vida. Era “Mãe da Tropa”.
Perde-se na poeira translúcida da estrada, as circunstâncias em que o conheci. Creio ter sido bem no limiar do ano de 1992.
Era Fevereiro de 1992. O processo de Paz de Bicesse, apesar dos solavancos consubstanciados em incidentes, seguia o seu curso. As tropas partiam para os acantonamentos.
- Vais sair da tropa ou vais passar para as FAA? – A pergunta, essa andava de boca-em-boca, mas as respostas eram escassas e imprecisas.
Depois de anos à fio a prestar serviço militar, sair do exército ou continuar é um dilema de difícil solução. Os laços que a vida militar cria e a paixão que desperta tornam-nos reféns!
A criação de um Exército Nacional, como uma das cláusulas fundamentais para a implementação do Acordo de Paz, levantou uma série de inquietações para muitos militares, quer das FAPLA, quer das FALA. Será que vale a pena continuar a ser militar depois destes anos todos a enfrentar várias dificuldades e desafios?
Todos queriam obter respostas a perguntas que reflectiam a insegurança que o futuro representa para todos os seres humanos. “O futuro só a Deus pertence”. A sabedoria popular acertou…
Muitos decidiram ingressar nas FAA. Foi nesse ambiente de turbulência que aprofundei os laços com o Capitão-de-Corveta Vidal Nobre. Ele regressava das frentes, onde permaneceu vários anos, e logo no primeiro encontro houve uma identificação mútua. E como comissários políticos, partilhamos parcas certezas e muitas incertezas.
Agravante! O Muro de Berlim ruiu e com ele a ideologia que suportava o projecto de implementação de uma sociedade mais justa baseada na propriedade social dos meios de produção e na ditadura do proletariado. Mas nós continuamos juntos a acreditar que não era utopia apostar na construção de uma sociedade justa e solidária.
Tão logo a Direcção Política Nacional das FAPLA deixou de existir, com ela sumiram os comissários políticos, que durante vários anos serviram como educadores e mobilizadores na elevação do moral das tropas.
Na nova estrutura surgiu os Gabinetes de Informação e Relações Públicas. Não possuía a mesma vocação das direcções políticas, mas o certo é que os antigos comissários políticos foram atraídos e colocados aí. O retorno à guerra veio colocar em pauta a necessidade de criação de um órgão que pudesse ter mais intervenção no dia-a-dia dos militares. Assim foi criada as direcções de educação Patriótica.
E foi ali onde encontramo-nos novamente . Ele vinha da Unidade dos Fuzileiros e eu da Bolsa de Estudo no exterior. E juntos sonhamos em elaborar uma revista militar que fosse capaz de atender às necessidades de projecção da imagem institucional em substituição do Boletim Informativo antes produzido pelo GIRP. No princípio, as dificuldades foram imensas, quase paralisantes. Faltava de tudo: computadores, mesa de trabalho e inclusive sensibilidade, compreensão suficiente para alavancar o projecto. Congregaram-se sinergias e vontades e finalmente as edições foram saindo à rua. Vidal e toda equipa vibravam a cada momento semelhante. Era festa com Chefe Viper entre os convivas! Todos torciam para que a máquina não encalhasse em alguma duna de areia. Mesmo destacado na EEN em comissão de serviço, Vidal ligava para incentivar a equipa. Por isso não acreditamos na notícia sobre o seu desaparecimento físico. Preferimos ilusoriamente acreditar que Vidal Nobre continua em missão de Serviço algures em alguma unidade militar. Continua informando e mobilizando as tropas para as novas batalhas em prol da reedificação de um exército disciplinado forte e moderno. Seu lugar está reservado no convés.
É sua obra, a estatueta existente no Estado-Maior da Marinha e que evoca a camaradagem militar. Também era artista plástico. Na sua nobreza de homem combatente, a voz de Vidal Nobre ecoará para sempre em nossos corações e a sua imagem de amizade estará presente nas obras que deixou.
Por isso, prefiro ruminar a ilusão de que ele continua vivo e a qualquer instante ouvirei os seus passos retornando. Talvez por isso tenha demorado em dedicar-lhe esta homenagem. Quem sabe! Talvez regresse logo depois de um fim-de-semana sem excessos!
Bye, Bye companheiro!
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