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Ano 6 - Edição 16 - Jul/Ago/Setembro 2009 - Preço Kz 250,00
Destaques de capa
Governo cria sistema nacional de vigilância marítima
- Reedificação tornará a marinha mais operacional
- Generais João de Matos e Numa falam sobre a génese das FAA
- Marinha desmobiliza mais de 100 militares
REFLEXÃO
 
 

Prioridade Formação

 

Com a criação de uma Academia Naval para a Formação Superior de Oficais nas mais diversas especialidades, Angola estará em condições de formar quadros nacionais e estrangeiros, dentro das valências do ensino universitários e nos padrões da Organização Marítima Internacional. Essa afirmação é do General Geraldo Sachipengo Nunda, Chefe do Estado-Maior General Adjunto das FAA proferidas ño Lobito, durante as celebrações do 33º aniversário da fundação da Marinha de Guerra Angolana.
Eis o discurso na íntegra:

Excelência Representante do Governador Provincial de Benguela

Excelência Comandante da Marinha de Guerra, Almirante Augusto da Silva Cunha “Gugu”,

Excelência Comandante da Região Naval Sul, Vice – Almirante Daniel Domingos António,

Excelência Almirantes e Generais;

Senhores Oficiais, Pargentos, Praças e Trabalhadores Civis.

Dignos convidados,

Tenho a subida honra de em nome de sua Excelência Chefe do Estado Maior General das FAA, General do Exercito Francisco Pereirra Furtado, presidir este tão solene acto que assinala os 33 anos da criação deste Ramo das Forças Armadas Angolanas.

Foi a 10 de julho de 1976, que na Base Naval de Luanda termina o primeiro curso de especialistas de marinha, na nascente Nação Angolana, que acabava de conquistar a Independência Nacional e lançava-se para os grandes desafios que se impõem a um pais numa conjuntura tão conturbada, como foi o período pôs independência.

E era sem dúvida um grande desafio, criar uma Marinha de Guerra que partia praticamente do nada, em termos do recurso fundamental, o homem.

Existiam instalações, alguns navios, mas não existiam oficiais, nem marinheiros capazes de mover os meios e cumprir com as missões que geralmente se atribuem a uma Marinha de Guerra.

E o encerramento daquele curso era tão importante que teve a presença do mais alto mandatário do país, o Presidente Agostinho Neto, igualmente fundador da Nação Angolana.

Já naquela altura, Agostinho Neto referia-se à importância da Marinha, para a defesa armada do País contra qualquer agressão, mas também como garante da protecção dos nossos recursos piscatórios e outros.

E a visão estratégica foi muito mais longe, com o envio de vários jovens ao exterior para a formação em várias especialidades específicas do navio e da condução de operações navais.

Mas mesmo antes da indenpendência, já alguns militares foram enviados à ex-União Soviética a fim de estudarem a arte marítima, onde se destacaram os dois primeiros Comandante da Marinha: Avelino Soares e “Força Maior”.

Foram eles que se constituiram em factor decisivo para a exploração da técnica adquirida posteriormente, que incluía os navios torpedeiros, as lanchas porta-mísseis e os navios anfíbios de grande porte, comummente designados de navios de desembarque.

Nos finais da década de 70 e de 80, já a Marinha possuia uma presença no mar não negligenciável e constituía um importante factor de dissuasão contra qualquer investida através do mar e de práticas ilegais ligadas à exploração de recursos picatórios.

Inicialmente confinada em luanda, posteriormente estendeu-se ao Soyo, reocupando as instalações da Marinha de Guerra no local; ao Namibe; Lobito e ao Kuando Cubango, em Vila Nova da Armada.

Execêlencias,

Minhas Senhoras e meus senhores,

É inegável a importância do mar para a economia de um País. Angolana tem o privilégio de possuir uma longa costa e situar-se numa importante rota marítima. Possui igualmente no mar importantes recursos vivos e não vivos que devem ser protegidos, pois que à luz da convenção das Nações Unidas sobre o Mar, cabe aos países de litoral o direito de defesa dos seus recursos e o dever de garantir um exploração prudente, uma vez que o mar é um património comum da humanidade.
Para além da missão fundamental da Marinha que é a da Defesa Nacional através do mar, tem outras missões completares que vão ao encontro com os interesses do País e dos riscos e ameaças que o País pode enfrentar em determinada época.

Ameaças que têm a ver com pirataria, uma prática já existente há vários anos em Países da África Ocidental e denunciada pela Organização Marítima Internacional que consiste em assaltos a navios atracados ou ancorados com o fim de furtar mercadorias; sabotagens em instalações petrolífera e roubo de meios existentes nas plantaformas ou caso o caso mais típico e que se circunscreve ao corno de África, que é o de aprisionamento de navios e respectivas tripulações em troco de pesados resgates.

Ameaças respeitantes ao tráfico de mercadorias e de drogas, que encontram nos países menos guarnecidos, portos seguro e a emigração ilegal.

Angola não está livre de todos os riscos.

Como dar resposta a todos esses riscos e ameaças?

As Forças Armadas Angolanas estão envolvida no “processo de reedificação” , que para o caso Marinha vai significar:

Uma Reorganização da Estrutura Orgânica da Marinha, com maior pendor operacional;

- A criação de pontos de basificação (Bases Navais), tendo em vista a perpectiva de desenvolvimento do Ramo, assimcomo noutras infraestruturas capazes de albergarem a tropa, Serviços Sociais e Instalações Administrativas;

- A potenciação com navios de várias classes e especificidades, tendo em vista a defesa, a fiscalização e a busca e salvamento no mar;

- A Reestruturação do Sistema de Ensino, com a criação de uma Academia Naval para a Formação Superior de Oficais nas mais diversas especialidades, tendo em vista que o homem é o elemento fundamental e que nenhuma técnica terá valor sem a correcta exploração.

Angola estará em condições de formar quadros nacionais e estrangeiros, dentro das valências do ensino universitários em Angola e nos padrões da Organização Marítima Internacional.

A direcção do País está seriamente engajada na mordenização da Marinha, tendo em conta a importância estratégica do mar para o nosso País, via de comunicação dos navios que transportam o petróleo produzido em Angola e garatem o fornecimento de mercadorias, pois que quase cem por cento das mesmas chegam através de navios mercantes.

A Marinha estará a altura de assumir os seus compromissos perante o Comite Maritimo Permanente da SADC e oferecer segurança aos navios que atravessem as nossas águas ou a zona Marítima exclusiva, assim como colaborar com outras marinhas em missões de busca e salvamento em cassos de acidentes e catástrofes naturais no mar.

Continuará a cooperar com a protecção civil e em maior grau nos casos de catástrofes naturais como tem acontecido na provincia do cunene, como aconteceu no Moxico ou em Cacuaco.
Fundamentalmente com o emprego de Fuzileiros Navais, estará a altura de participar em missões de apoio à paz.

Excelências Almirantes,

Excelências Oficiais, Sargentos, Praças e Trabalhadores Civis da Marinha,

Foram 33 anos de esforços abnegados ao serviço da pátria, levados a cabo por cada um de vós em diferentes etapas.

Mesmo dentro de grandes dificuldades e nem sempre com a experiencia e o saber que exigem, souberam lutar para elevar bem alto o nome da marinha e garantir uma presença no mar.

Que o exemplo daqueles jovens que em 1975, 1976 e em épocas posteriores, ingressaram para Marinha, algo ainda completamente desconhecido e que com o seu entusiasmo, impulsionaram esta tão complexa engrenagem.

Saúdo todos almirantes, Oficiais, Sargentos, Praças e trabalhadores Civis deste Ramo por mais um aniversário.

Saúdo os jovens Oficiais, Sargentos e Praças recentemente ingressados e que constuirão o futuro da Marinha.

Agradeço a sua Excelência Governador de Benguela, pelo apoio prestado na realização deste aniversário aqui no território da Região Naval Sul.

Muito obrigado e bem – haja

 

 
 
 
 
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