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Esta publicação não visa de modo algum esgotar na sua totalidade,o tão vasto e aliciante tema que dá pelo nome de Guerra Electrónica. Tem apenas como objectivo,a consciencialização de alguns e a actualização de outros para o fenómeno da evolução tecnológica na utilização no espectro electromagnético no campo militar.
Se bem que no passado o conhecimento e a operação da Guerra Electrónica foi uma prerrogativa misteriosa de alguns especialistas, hoje em dia qualquer membro de uma tripulação tem por obrigação,estar consciente do que é a Guerra Electrónicae e saber tirar dela o melhor partido. Na verdade, a utilização do equipamento electrónico na guerra tem vindo a expandir-se e inclui já todos os níveis e áreas de combate.
Não se sabe ao certo quando a Guerra Electrónica teria tido o seu início. Sabe-se, no entanto, que já em Maio de 1916, a Marinha Inglesa utilizou equipamentos de rádio para a detecção das ondas electromagnéticas inimigas. Mais tarde, no início da 2ª Guerra Mundial, as operações da Guerra Electrónica eram referidas como a "Batalha das Ondas Electromagnéticas ( The Battle of the Beacons )".
Sir Winston Churchil foi dos primeiros líderes da 2ª Guerra Mundial a reconhecer que a Guerra Electrónica era vital para as operações militares. E frisou claramente que seria a habilidade e capacidade dos cientistas que iria desempenhar um papel decisivo no desfecho da 2ª Guerra Mundial.
Com o aparecimento constante de novas armas, os Comandantes passam a depender, para o sucesso de uma operação, do equipamento electrónico disponível. Assim, a Guerra Electrónica tornou-se uma das considerações mais importantes a ter em conta na estratégia defensiva ou ofensiva.
A Guerra Electrónica poderá ser definida como toda a acção militar que utiliza meios electrónicos para neutralizar os sistemas de comando e controlo inimigos, actuando sobre as suas comunicações e sistemas electrónicos, enquanto assegura a integridade dos nossos próprios sistemas electrónicos.
Da análise desta definição se infere que a Guerra Electrónica tem uma área de actuação vasta, onde se situam três importantes objectivos, correspondentes às suas três grandes divisões que são:
a. Medidas de Apoio de Guerra Electrónica ( MAGE ) :são acções destinadas à busca, intercepção, identificação e/ou localização das fontes de emissão de energia electromagnética, com o fim de reconhecer no mais breve espaço de tempo uma ameaça.
b. Contra-medidas Electrónicas ( “CME” )Incluem as acções destinadas a impedir ou reduzir o uso eficaz do espectro electromagnético pelo inimigo.
c. Medidas de Protecção Electrónica (MPE): São acções tomadas para assegurar o uso eficaz do espectro electromagnético pelas forças amigas, apesar da utilização inimiga da Guerra Electrónica.
Verifica-se, assim, que as CME constituem um aspecto ofensivo da Guerra Electrónica e as MPE um aspecto defensivo e as MAGE uma fonte de informação básica, necessária à actividade das outras duas.
O homem com a sua capacidade e poder de decisão é factor vital na Guerra Electrónica. Só assim se compreende que os mísseis terra-terra que tanto êxito tiveram contra as vedetas paquistanesas na guerra indo-paquistanesa, não tivessem conseguido afundar uma só vedeta israelita na guerra do Yon Kippur (entre Israelitas e Árabes). É que, na verdade, os homens que manobravam os equipamentos nas duas situações tinham graus de proficiência diferentes.
Em resumo, as medidas de Guerra Electrónica, têm que ser uma combinação perfeita dos equipamentos e das capacidades para os actuar. Por isso mesmo, o profissional das Forças Armadas deve não só ter conhecimento exacto dos meios de Guerra Electrónica ao seu dispor, mas também, uma capacidade de imaginação realística e uma perspicácia e gosto pela acção que lhe permita prever. Tal como a Guerra em geral, a Guerra Electrónica é uma arte e ciência que tem que se aprender a conhecer e dominar.
É possível, desde já, prever que o desenvolvimento futuro da Guerra Electrónica se venha a processar ao longo de 2 linhas; uma primeira conduzindo a métodos que permitam a combinação dos diferentes equipamentos de Guerra Electrónica numa única unidade (particularmente para fins de CME) e outra dirigida a uma cada vez maior sofisticação e especialização do equipamento para CME e MPE. As duas linhas poderão ocasionalmente encontrar-se.
BIBLIOGRAFIA
PORTUGAL. Instituto de Altos Estudos da Força Aérea, "GUERRA ELECTRÓNICA" (INTRODUÇÃO). AEFA/E 320-5, FEV/80.
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