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A MGA completa 30 anos de existência. Ao longo da sua história, a actividade cultural sempre marcou presença no quotidiano das unidades e subunidades navais. Muitas gerações de marinheiros buscaram na música, na dança, na literatura e no teatro uma das formas de manifestarem o sentimento que lhes ia na alma. Na entrevista, o Chefe Adjunto da Direcção de Educação Patriótica do Estado-Maior da MGA, Contra-Almirante Pedro Kanhica, aborda, entre outros aspectos, os momentos e os protagonistas que marcaram época na Marinha Angolana. Siga a entrevista.
Revista da Marinha: Que avaliação faz da actividade cultural na MGA ao longos dos 30 anos?
CALM Pedro Kanhica: O percurso é longo, porque tivemos aqui as primeiras gerações ligadas às actividades culturais da marinha que serviram e ainda servem de exemplo para as novas gerações. Na altura, trabalhávamos com o António Paulino, Lisboa Santos e Jorge Fortes Gabriel que supervisionava a actividade cultural. Desde 1976 até 1982, não podemos fazer uma avaliação concreta, porque as actividades eram espontâneas, mas a partir de 1982 em diante já havia uma organização.
RM: Qual era o órgão que coordenava essa actividade?
CALM P.K: Era o Departamento de Educação e Cultura, que além de responder pela alfabetização e educação, planificava e controlava também as actividades culturais.
RM: Quais eram as modalidades culturais em que a Marinha mais se destacou?
CALM P.K: A Marinha destacou-se mais a música e na literatura, porque tínhamos músicos de renome como: António Paulino e Lisboa Santos que no palco eram astros. como escritor, tínhamos o actual Contra-Almirante Jorge Fortes Gabriel que com as suas poesias e prosas representou muito bem a Marinha. Em suma, todos estes evidenciaram a participação da marinha nas inúmeras actividades culturais.
RM: Em que festivais a Marinha participou?
CALM P.K: A Marinha participou em todos os festivais que foram organizados pelas forças armadas. Participamos especialmente aqui em Luanda no R-20, participamos na actividade que houve no Lubango, Cabinda e em festivais de trova com artistas individuais e amadores.
RM: Actualmente como está na Marinha a Dança, a Música, o Teatro e a Literatura?
CALM P.K: Quanto a dança, em relação aos primórdios estamos em baixo. Mas junto da área cultural, estamos a ensaiar e a apadrinhar um grupo de dança da Ilha de Luanda, mas o nível ainda não é desejável. E com relação à música, estamos bem, porque tivemos aqui um agrupamento musical o conhecido Grupo 10 de Julho, mas que infelizmente alguns se afastaram do grupo devido a desmobilização que houve em 1991.
Mas agora, estamos a renascer, temos uma nova aparelhagem e estamos a ser representados pelo cantor Sabino Henda e os colegas do Grupo (Trifuzu). Portanto estes estão a mostrar que a música na Marinha não morreu. No teatro, estamos na estaca zero. Estamos a envidar esforços para que não se produza só um grupo de dança, mas que este grupo seja polivalente, porque há potencialidades tanto a nível de instrutores como de instruendos. E de acordo com a última reunião que tivemos com os órgãos de Cultura das Forças Armadas, há disponibilidades de meios para irmos muito mais longe.
Quanto à literatura, temos neste momento indivíduos que escrevem bem, que são os jornalistas profissionais que funcionam na Revista da Marinha, também temos oficiais a nível da Unidade que têm capacidades e disponibilidades para escreverem.
RM: Qual é a relação que os grupos da MGA têm com os demais da cidade de Luanda?
CALM P.K: A relação é boa, porque nas efemérides de carácter mais relevantes, nós recorremos às entidades culturais da cidade de Luanda, principalmente àqueles que estão ligados às Forças Armadas.
RM: Quando é que a Marinha terá o seu cancioneiro?
CALM P.K: O que está decidido superiormente, é que apresentemos a nossa Banda de Música com os elementos que estiveram a cursar durante muito tempo e que ficaram paralisados. Igualmente, o Cancioneiro da Marinha já está a ser preparado a fim de ser apresentado no âmbito das celebrações do 30 anos do Ramo.
RM: Quais as perspectivas que o Ramo tem quanto ao desenvolvimento das actividade culturais?
CALM PK: O nosso representante esteve presente na reunião sobre cultura das Forças Armadas Angolanas, lá, abordaram vários aspectos no que concerne a cultura. Então de acordo com o nosso programa de acção, só estamos a espera da disponibilidade do Ramo aí todos os nossos programas serão executados a partir da música até ao teatro.
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