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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
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ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
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ANCORANDO
REFLEXÃO
         
 
"Para proteger o nosso território Nacional esta Marinha é necessária"

Discurso proferido pelo Presidente António Agostinho Neto, em 10 de Julho de 1976, a partir do convês da Lancha de fiscalização "ESCORPIÃO", herdada da Armada Portuguesa

É com grande prazer que assisto a este acto que marca o fim do período de instrução de camaradas da Marinha Nacional.
Aproveito esta ocasião para felicitar todos os que participaram neste trabalho, os camaradas Instrutores, os camaradas Instruendos, os camaradas Responsáveis das FAPLA, enfim todos aqueles que têm contribuído duma maneira ou doutra para a construção do nosso País.
Este é mais um fenómeno que nós estamos a viver na nossa Pátria depois de destruírmos o colonialismo, depois de termos vencido os agentes do imperialismo, nós nos engajamos agora na construção do nosso País. E construír o País significa não sómente o reproduzir de ideias, mas por actos concretos estabelecer os alicerces sobre o qual se construirá a Pátria Socialista Angolana. Nós temos esse factor essêncial necessário à nossa Revolução que é a defesa, é necessário que nós defendamos o nosso País e os camaradas que acabam de se formar agora são exactamente uma parte dos cidadãos deste País encarregados da defesa da nossa Pátria e da nossa Revolução.
É necessário que todos nós compreendamos bem esta necessidade de defesa e que não releguemos este promenor da nossa actividade para uma posição de menos importância, porque se nós não nos defendemos, o inimigo avança e torna a dominar o nosso País, o nosso Povo. Nós temos ainda hoje, embora isto não esteja claro para toda gente, factos bem visíveis de tentativas de agressão por parte dos nossos inimigos, quer agressão Militar, quer Política. Todos os dias quase, temos a necessidade de nos defender dos inimigos. Muito concretamente, as nossas Fronteiras Norte e Sul têm sido violadas por inimigos que tentam penentrar no nosso País. Ainda há dois ou três dias forças sul-africanas penetraram no nosso País, teve a nossa organização Militar que se confrontar novamente com tropas sul africanas que queimaram três aldeias no nosso País e feriram um cidadão. Este é mais uma prova de que nós não podemos descansar, nós não podemos dizer que já estamos livres dos inimigos, não podemos dizer que o nosso território, a terra, o ar ou o mar não seja novamente atacado pelos inimigos.
Nós tivemos recentemente a notícia daquilo que aconteceu no Uganda, por agressão de Israel comandos Israelistas atacaram no território Ugandês Cidadãos da Palestina, isto mostra que nós podemos de igual maneira ser atacados a qualquer momento e de qualquer maneira por aqueles que querem a destruição do nosso País. Por isso eu insisto nesta necessidade de defesa, de estarmos alerta, de não perdermos de vista que o inimigo é sempre agressivo.
Nós temos diante de nós, um facto que não devemos também esquecer, é que para proteger o nosso território Nacional esta Marinha é necessária, e já foi feito um bom trabalho. Os camaradas conseguiram pôr a funcionar a Marinha, recuperaram algumas Unidades Navais e já as puseram ao Serviço da nossa Pátria. A protecção das nossas águas territóriais onde até agora têm vindo piratear muitos Navios Estrangeiros, que fazem a pesca como os camaradas sabem, é um facto que nós devemos neutralizar, devemos evitar no futuro, devemos neutralizar aqueles que querem de qualquer maneira roubar o que existe no nosso País, ou que pretenderão talvez através dos mares atacar o nosso País. Tivemos ontem de confirmar a pena de morte à alguns Mercenários que se introduziram aqui em Angola, as reações do mundo são as mais diversas, alguns grandes Países gostariam que estes homens ficassem impunes, que não fossem castigados, algumas instituíções religiosas manisfestaram-se no mesmo sentido, algumas personalidades no mundo, também se manifestaram. No entanto, não é possível hoje admitir de forma nenhuma que homens sejam recrutados em certos Países para virem aqui em Angola, porque certamente terão a mesma sorte. A nossa tarefa de defesa do nosso País inscreve-se no quadro geral da nossa actividade e os camaradas Marinheiros não devem esquecer que também estamos empenhados na Batalha da Produção. Para que a nossa Pátria seja construída temos de produzir, temos de defender. É necessário que as Unidades de Produção que existem, que funcionaram durante o tempo colonial continuem a produzir e produzam cada vez mais. É necessário que cada um de nós dê o seu esforço, para que nós tenhámos uma produção suficiente no País. Temos falta de meios, é certo, ainda temos dificuldades nas Comunicações, as nossas estradas foram destruídas, pontes foram destruídas, temos falta de meios de transporte, mas tudo isto nós estamos superando a pouco e pouco e dentro de alguns anos certamente teremos os meios suficientes, as ferramentas suficientes, as máquinas suficientes, para termos a produção desejavél dentro do nosso País.
De maneira nenhuma devemos desesperar, porque temos dificuldades, de maneira nenhuma devemos desanimar, porque ainda não temos na nossas mãos tudo aquilo que é necessário para produzir, temos é de resolver os problemas, e quanto mais depressa melhor. Portanto, o esforço de cada cidadão, o esforço de cada homem, de cada mulher é necessário, e oxála que nós realizemos esta ideia todos nós, para nos lançarmos ao trabalho de produção.
Claro que o camarada Comandante da Marinha, fez uma análise satisfatória dos problemas nacionais. O Camarada Comandante da Marinha focou todos os aspectos que eu poderia repetir todos eles, mais vou apenas mencionar um aspecto da vida nacional, é que ao defendermos, ao produzir, nós seremos sempre inspirados por uma ideia politica.
A ideia de restruturar todo o Sector Político na base de uma nova orientação, de maneira que todo povo, e muito especialmente os trabalhadores possam de facto participar das decisões maiores dentro da nossa terra. A instauração do Poder Popular é um fenómeno que nós devemos apreciar devidamente, as eleições que se fizeram aqui em Luanda, são o primeiro acto de um grande acto que se realizará em todo País, e que trará à superfície os reais dirigentes de cada região, de cada Cidade ou Aldeia. E esta transformação Política que agora se faz no plano administrativo, nós teremos de vê-la também em todos os sectores, quer no económico, quer nos outros sectores da nossa vida, na educação, na assistência médica, enfim, em toda actividade nacional. E é por isso que nós somos inspirados por uma nova ideologia, que poderá levar o nosso País ao socialismo, esta é a menção que eu queria fazer sobre este ponto. Assim e mais uma vez eu vos felecito e desejo que na continuação da vossa preparação dentro do quadro da Marinha Nacional, sejais cada vez mais conscientes de que a defesa é um elemento muito necessário a vida do nosso País.
Muitas felicitações aos camaradas instrutores, camaradas que tornaram possível a realização deste acto, que nos têm ajudado em várias sectores da nossa vida, que têm possibilidades de ajudar a reconstrução do nosso País.

- VIVA O INTERNACIONALISMO PROLÉTARIO
- VIVA OS CAMARADAS CUBANOS
- VIVA O POVO DE ANGOLA
- VIVA A MARINHA NACIONAL ANGOLANA
- A VITÓRIA É CERTA.

 

 
 
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