 |
|
 |
REFLEXÃO |
|
|
|
|
|
| |
|
…É utópico pensar-se que podemos estar descansados em terra, quando se tem
o mar desguardado
“Faremos que cada unidade navala esteja dotada de grande autonomia” |
Discurso proferido em 10 de Julho de 1976 pelo 1º Comandante da Marinha Nacional Angolana, Avelino Soares da Silva |
|
A Marinha Angolana, como todos os restantes Ramos das Forças Armadas Nacionais tem um carácter essencialmente defensivo, sendo a partir desta perspectiva que terão de ser definidas os meios necessários para o desenvolvimento de toda a sua actividade.
A espinha dorsal de toda actividade da nossa Marinha deverá ser, consequentemente, a formação de quadros não apenas nos Planos técnico e Militar como no Plano Político, sobretudo.
Para se ter uma ideia da importância que assume a nossa Marinha, é necessário levar-se em conta que temos uma faixa costeira bastante ampla, questão que não pode ser minimizada. Porque é utópico pensar-se que podemos estar descansados em terra, quando se tem o mar desguardado. O nosso País tem águas Territóriais bastante amplas e, por isso torna-se necessário defender o nosso Território, bem assim como a inviolabilidade das suas águas.
A existência de petróleo no mar, assim como a fauna marítima, a posicção geográfica de algumas das nossas províncias nacionais, particularmente Cabinda, e ainda a grande navegabilidade do rio Zaire e de ou-tros, são algumas das muitas razões que nos definem a necessidade inequívoca da defesa das águas territoriais que não devemos esquecer.
Faremos que cada Unidade Naval esteja dotada de grande autonomia e que provavelmente acontecerá que os nossos navios visitem Portos Estrangeiros sendo que, nessa circunstância cada homem terá que ser reflexo inequívoco da maturidade política do nosso Povo e da sua Vanguarda Revolucionária o MPLA. E é por isso, além de todas as outras razões já apontadas, que formamos os nossos camaradas de acordo com os programas políticos traçados pelo nosso Movimento.
Outro aspecto particular dentro da formação de Quadros para a Marinha, é o da Alfabetização. Porque aqui há necessidade de emprego de novos e avançados meios técnicos, que exigem um nível de conhecimentos técnicos mais ou menos amplos.
Nós pretendemos que num espaço de tempo muito reduzido não haja nenhum camarada nosso aqui na Marinha, que não saiba ler e escre-ver. Por outro lado, criamos nos nossos Homens o espírito de se apoiarem nas directrizes do nosso Movimento, não só no que toca as ideias, mas também as acções concretas.
O nosso País não tem tradições Marítimas. Isso, em certa medida tem dificultado o aumento dos nossos Quadros, uma vez que o Serviço aqui neste Ramo das Forças Armadas Nacionais é voluntário e a maior parte da nossa juventude não está sensibilizada para a actividade da Marinha.
Pensamos trabalhar com o Ministério da Educação e Cultura, no sentido de este desenvolver uma série de actividades naúticas que favoreceriam futuramente a actividade de recrutamento para a Marinha nomeadamente: Desportos Naúticos tais como a Vela, Remo e Natação.
De qualquer forma, o recrutamento de Quadros para a Marinha está em Curso, existindo Brigadas procedendo esse trabalho e funcionando a nível Nacional. Contudo, todo o desenvolvimento da Marinha Angolana tem que partir, como é evidente, da formação de Quadros capazes de responderem de forma capaz às nossas necessidades, aos quais se exige uma certa preparação técnica, política e militar.
Numa primeira fase, pensamos nos homens que vão accionar os meios que já possuímos, enquanto paralelamente nos cabe programar o desenvolvimento progressivo da Marinha Nacional, com novos Quadros formados a nível Superior e, inevitavelmente, com a aquisição de novos meios técnicos.
O arranque foi mais dificil, porque partimos de uma base de trabalho com fracos meios, embora a nossa Marinha vá ter, certamente, um grande desenvolvimento no futuro.
Pensamos na abertura de Escolas, tal como os outros ramos das Forças Armadas, devendo reparar-se, sem subestimar que embora haja necessidade de formação de Quadros no exterior do país, a formação de Quadros dentro do nosso próprio Território Nacional terá grandes vantagens práticas, nomeadamente impedindo que esses Quadros se dissociem das realidades Políticas Nacionais e o seu imediato aproveitamento para participação nas tarefas da Defesa Nacional.
Concretamente no plano da Marinha, como acontece nos outros Ramos das Forças Armadas, nós consagramos uma atenção bastante particular à formação política dos nossos camaradas, porque só assim nos será possível participar mais activamente no processo revolucionário em curso no nosso País e na tarefas de Reconstrução Nacional.
Queria ainda referir, que durante este período de tempo em que esteve a ser organizada a Marinha Angolana e a formar-se os seus primeiros Quadros, a ajuda cubana também neste sector específico desempenhou um papel muito importante, pondo uma vez mais em relevo o espiríto internacionalista dos camaradas cubanos. Aqui, a nível da Marinha, eles actuavam como verdadeiros professores de Quadros que servirão não apenas a Marinha, mas também, ao desenvolvimento da consciência de todo o Povo Angolano em relação aos Povos oprimidos que ainda existem no Mundo.
Foram eles os camaradas cubanos, a alma deste primeiro curso de formação de Especialistas Menores da Marinha, merecendo de todos nós, Marinheiros e Povo Angolano em geral a nossa melhor estíma e o maior respeito. |
|
|
|
|
 |