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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
REPORTAGEM
MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
REPORTAGEM
         
 
A caminho da zona marítima Nº 4 e a sentir a corrente fria
CMG Valentim Butoto
É mês de Junho! No espaço paira um ar frígido. O termómetro marca 19º, o mínimo, e 24º, o máximo. Para a região de Luanda é sinónimo de muito frio. É nesse clima que a delegação chefiada por S. Exª Almirante Augusto da Silva Cunha "Gúgú" se prestava para o cumprimento de mais uma missão de visita de ajuda e controlo à Zona situada mais a Sul de Angola.
Eram 9h00, quando a comitiva embarcava à bordo da aeronave AH (AN) -32, tripulada por pilotos russos. A viagem durou pouco mais de 1 hora e 30 minutos, num percurso de 1.234 Km. Às 10h30 a aeronave aterrava no aeroporto "Yuri Gagarine" da província, que detém a famosa planta do deserto do Calaari a Welwitchia Mirabilis.
Aqui a realidade é diferente da de Luanda. A temperatura está mais abaixo dos níveis acostumados. O corpo reage! Na mente, vem logo a noção de um bom agasalho para manter aquela temperatura habitual. Porém, militar é militar, deve suportar tudo!
No aeroporto, após as tradicionais boas-vindas feitas pelos membros do Comando da ZM-4 encabeçados pelo Vice-Almirante Valentim Alberto António, rumamos para a cidade numa estrada que rasga o terreno semi-desértico. Ao longo dela foram plantadas algumas árvores, simbolizando o esforço dos homens na luta contra a desertificação. Era muito lindo ver aquela paisagem, sobretudo para quem pela primeira vez pisa aquelas terras da Welwitchia Mirabilis.
Minutos depois, entrávamos na cidade. Tudo calmo e limpo. O tráfego automóvel também é tranquilo. O cortejo dirigiu-se a Fortaleza de S. Fernando, situada no cume do monte que dá ao mar, oferecendo aos visitantes um panorama exuberante com águas azuis brilhantes e navios de grande e médio portes a dançarem ao sabor das ondas. A Zona Marítima nº 4 criada em Julho de 2003, no quadro da reestruturação e modernização das FAA, situa-se a Sul do paralelo 10º e compreende um espaço geográfico constituído pelas Províncias de Benguela e Namibe, partindo da foz do Rio Catara até à foz do Rio Cunene. Ocupa uma extensão de costa igual a 221 milhas náuticas e uma área de jurisdição igual a 44.200 milhas náuticas quadradas, tendo uma costa de certo modo, árida e escarpada. Para Sul do Lobito, é montanhosa, mas os acidentes vão diminuindo de altura até Namibe, onde a costa é baixa, plana e desértica, apresentando a partir de Tômbwa, numerosas dunas.
O seu Comando e sua Base Naval situam-se na Fortaleza de S. Fernando, localizada na zona portuária da cidade capital do Namibe.
A construção dessa Fortaleza foi iniciada em 1839 e concluída em 1844. Ela é uma importante construção erguida no morro conhecido então por Ponta Negra e é um testemunho valioso da arquitectura militar portuguesa do século XIX. Passou a chamar-se Forte de S.Fernando a partir de 12 de Junho de 1849, data do ofício nº 249 do Governador-geral ao Ministério do Ultramar a comunicar tal deliberação.
Teve como primeiro Comandante o Tenente de Artilharia João Francisco Garcia, de 1840 à 1845. O Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública ocupou-a até a data da independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975.
No âmbito da evangelização dos povos "indígenas" levada a cabo pela Igreja Católica, em 1 de Novembro de 1849 se realizava naquela Fortaleza de S.Fernando a primeira Missa Católica nas terras de Moçâmedes.
Na actualidade, o edifício ainda apresenta boa conservação interna, mas carece de alguns trabalhos de restauro do muro exterior, tais como a colocação de alguns murais e reboco tendo em conta os efeitos da erosão. Este trabalho de reabilitação profunda que deverá ser executado por uma empresa especializada, são indispensáveis a curto prazo, porque na parte NW apresenta algumas fissuras que daqui a 5 - 10 anos poderão provocar o desabamento do edifício.

 

 
 
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