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Positivamente as Forças Armadas Angolanas (FAA), preocupou-se sempre com a formação do cidadão nacional e em particular com os elementos que integram as suas fileiras, isto em vários níveis. Teve sempre presente o ideal de tudo fazer para o melhor da Nação, buscando no indivíduo o patriotismo e o espírito de servir a Nação por uma afirmação lúcida e consciente da razão, desdobrando-se no culto de valores patrióticos, humanistas e cívico obedecendo sempre os conhecimentos científicos sustentados regentes e próprios dos sistemas de ensino.
A modernização representou e representa como é óbvio um estandarte para as Forças Armadas, não só pela necessidade de actualização, face ao foco de guerra que vivíamos intensamente, mas sobretudo da necessidade de encarar de modo futurista o emprego especializado das forças na necessidade de construção de uma sociedade sã, alicerçada em vários princípios que regem sociedades literalmentes civilizadas, com metas sociais previamente bem definidas opostas a utopia virtual comum em países subdesenvolvidos.
Como qualquer Órgão Público, as Forças Armadas, ao longo dos 30 anos proporcionaram oportunidades de formação académicas e técnico-profissionais a elementos de variadas proveniências e sectores sociais, quer no país por atribuição de bolsas internas, quer no exterior do país, isto é explorando em sentido positivo os acordos de cooperação que foi e vem mantendo com as Instituições militares de outras Nações parceiras.
A Marinha de Guerra de modo integrado se beneficiou dos processos de formação à semelhança dos outros Ramos das FAA, isto nas várias condições acima referenciadas, mas que neste artigo de modo particular procuro realçar objectivamente e de modo específico o processo de formação que ocorre em Portugal a luz dos acordos de cooperação militar entre Portugal e o nosso País (Angola).
Aberta à sociedade civil e a própria Organização, a Marinha de Guerra Angolana ao longo de várias décadas optando por submeter a testes de rastreio os múltiplos concorrente que ocorrem a vagas para frequência de cursos de licenciatura no exterior por conta desta, e tem sido em função dos resultados individuais saídos deste processo que selecciona os melhores para a frequência dos cursos no exterior do país.
Em Portugal, nas instituições escolares militares os indivíduos seleccio-nados no processo ora referenciado ga-nham a denominação de cadetes.
Angolanos,caboverdeanos,guineenses, moçambicanos e santomenses beneficiados por este processo de formação são primeiramente submetidos a testes em disciplinas da 12.ª classe (denominação angolana) do ensino português, precisamente para determinar o grau de dificuldade do colectivo de alunos provenientes dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa).
Posteriormente são integrados no vestibular (anos zero), cuja frequência com duração de um ano lectivo ocorre nas instalações da Academia Militar situada na Amadora. A todos eles (alunos PALOP) como integrantes de sala única lhes são ministradas matérias com maior relevância académica em cadeiras como física, matemática, geometria, programação informática, português, inglês e com incidência prática no exercício físico e arte militar nas suas variadas componentes.
Esta fase de formação os cadetes, quer tenha proveniência na Força Áerea, no Exército ou na Marinha, quer se trate de angolanos ou sejam de outra nacionalidade quaisquer dos PALOP(expressão sem qualquer intenção de segregação), coabitam e frequentam neste período os mesmos espaços e submetem-se às mesmas regras de forma integrada. Academicamente, os cadetes têm a atenuante de apenas uma reprovação desde que admissível dentro dos pressupostos que regem aquela Instituição de ensino.
E é em função ao aproveitamento favorável que na sequência, pós findo o lectivo, que os cadetes se vêem encaminhados para as academias em função a opção e proveniência dos Ramos das Forças Armadas dos seus respectivos países de origem. Aqueles que provêem das Marinhas são encaminhados para a Escola Naval onde são primeiramente submetidos a avaliações psico-técnico conjuntamente com os caloiros da Marinha Portuguesa. Passam todos a serem considerados cadetes-candidatos num regime de disciplina, normas de vidas iguais para todos, obediência rigorosa dos preceitos regulamentares e das ordens dos superiores, métodos de trabalho, horário, formaturas, exercícios físicos arriscados, compostura e modo de vida em tudo regrado e uniformes com integração guiada por cadetes a frequentarem o 4.º ano da Escola Naval, ponte oficial de ligação entre o leque de candidatos-cadetes e que finalmente seleccionados como cadetes do 1.º ano e o "staff" da Instituição escolar.
Na sequência deste complexo processo de integração, os cadetes (portugueses e provenientes dos PALOP) são habitantes do espaço comum, Escola Naval aleatoriamente enquadrados em turmas com frequência académica de nível superior igual em carga curricular aos cursos administrados nas faculdades, mas diferenciado-se por acréscimo da componente técnico militar naval e ainda a proibição de reprovação em qualquer cadeira que seja, por risco de repetir no ano seguinte todas as cadeiras independemente de ter tido optímo aproveitamento desta (cadeira do curso) no referido ano lectivo, o que se conjuga com a dependência de autorização prévia do comandante da Escola Naval, ouvidos os conselhos pedagógicos e de disciplina escolar.
As fases se seguem com elevada formação militar académica, incluindo estudos no âmbito da sociologia e da psicologia, preciosos factores da liderança, assim como as exigências académicas de nível superior aumentam à semelhança de qualquer faculdade privada ou pública, a medida que com crescente prática de bordo e exercitação técnica naval, se vai desenvolvendo o futuro oficial, mentor da colaboração activa do homem, como defensores primários da necessidade imperiosa da disciplina para a consecução das missões e tarefas atribuídas à Marinha no exercício da autoridade do Estado.
Finalmente remato dizendo, que a Marinha de Guerra Angolana só tornará relevante o seu labor na área de formação militar desenvolvida ao longo destes trinta anos se sempre, se obrigar ao presumível postulado de que, os homens se distinguem pelas suas aptidões e que aqueles que mais exigentes forem na sua própria preparação tornar-se-ão os mais aptos nas metódicas missões que lhe caracteriza como oficial da Marinha de Guerra.
* Licenciado em Administração Naval
E-mail: celomanuel@hotmail.com
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