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1. SURGIMENTO DO CORPO DE FUZILEIROS NOS
30 ANOS DA
MARINHA
O Corpo de Fuzileiros surge da então existente força de que a Marinha de Guerra Angolana dispunha, cujos efectivos não tinham preparação específica de Fuzileiros mas sim de Comandos, formados no Centro de Instrução de Comandos (Autódromo de Luanda) em 1988/1989. De seguida são instalados na localidade da Kiminha, província do Bengo numa composição de uma Companhia, comandados pelo Tenente de Navio Álvaro Wooding, (actual Capitão de Fragata FZ, Chefe Adjunto da Repartição dos Serviços de Tropa) e constituía o comando da mesma, os Tenentes de Corveta Bernardo Bondo, José da Paixão Virgílio, João Paulo e pelos Sub-Tenentes Lourenço Vaz Gonçalves, Avelino José, Jorge Tibúrcio, e José Kipungo Nhoca. Em 1991, esta força é desactivada e os seus efectivos foram integrados nos quadros da classe de marinha (oficiais) e outros nos quadros da Polícia Nacional na Unidade Anti-Terrorista, UAT, (sargentos e praças).
Em Junho de 1993, à luz dos acordos de Bicesse e no quadro da reestruturação das Forças Armadas Angolanas, seguem para Portugal 32 militares entre eles os Srs. CMG Noé Rodrigues Magalhães e CFR Bamba Zifua Castro, afim de frequentarem o Curso de Formação de Fuzileiros e os dois últimos para comandante da FFNA e comandante da EF respectivamente.
Aos 3 de Setembro do mesmo ano, em cerimónia presidida pela S.EXCIA ALM CEMGFA/Portuguesas, na Escola de Fuzileiros (Vale de Zebro), são impostas as boinas aos primeiros fuzileiros angolanos e a mesma data foi instituída como o dia do fuzileiro de Angola.
Com o regresso destes a Angola, se deu o início a criação de condições na Escola de Fuzileiros (na altura instalada na Ilha da Cazanga), para o arranque da formação de fuzileiros em Angola. Em 15 de Novembro de 1993, se dá o início da formação do 1.º Curso de fuzileiros, tendo terminado a 24 de Março de 1994.
A partir desta data, a Marinha de Guerra Angolana passou a contar com a componente anfíbia, que lhe possibilita projectar o poder para a terra, dando um forte contributo na operacionalização das Forças Armadas Angolanas.
2. IMPORTÂNCIA DOS FUZILEIROS NO CONTEXTO DE DEFESA NACIONAL DE ANGOLA
"O Fuzileiro é o produto da combinação feliz entre o espírito do infante e o humanismo do marinheiro. Se, por um lado, passa toda a espécie de privações dos primeiros, por outro sabe relacionar-se de forma humanizada como só o homem do mar o consegue fazer" (1).
Esta expressão feliz exprime a ideia de que os Fuzileiros têm uma marca especial de homens do mar.
É aliás o mar que marca a actuação e a razão de ser dos fuzileiros. O mar que vai influenciar decisivamente o desenvolvimento e o futuro de Angola.
É um mar que não se domina, mas com quem se tem de saber viver. E essa é a primeira grande missão dos fuzileiros - saber viver junto de um ambiente que é naturalmente hostil, porque imprevisto.
As forças de fuzileiros, constituídas organicamente por unidades de manobra, de apoio de combate e de serviços são consideradas tipos de unidades que, em termos funcionais e operacionais, mais comportam identidade própria, sendo por isso extremamente versáteis.
Assim, para que as forças militares possam apoiar de forma efectiva a política externa dos estados, têm que possuir ca-racterísticas especiais, como o elevado grau de prontidão, a versatilidade e a fle-xibilidade.
Torna-se evidente que será imprescindí-vel a componente anfíbia da nossa Marinha, pois nos cenários actuais é previsível quer uma actuação combinada, a nível regional, quer uma actuação independente que poderá ser configurada numa Força Anfíbia Nacional ou conjuntamente com outros ramos das Forças Armadas.
As Operações de Apoio à Paz são um desafio actual às Forças Armadas em geral e à Marinha em particular que, para além das missões tradicionais - controlo do mar e projecção de poder - poderá realizar acções terrestres, em condições semelhantes às das Forças do Exército, através do empenhamento dos seus Fuzileiros, e que, quando embarcados constitui uma Força de Reacção Imediata.
3. Conceito de Emprego das Unidades e Forças de Fuzileiros
Os Fuzileiros são a tropa da Marinha adestrada e equipada para a realização de operações terrestres de carácter naval.
Os Fuzileiros estão permanentemente preparados para responder às necessidades operacionais que exijam o emprego do Poder Naval, em qualquer parte do território nacional ou fora dele.
As missões contidas no vértice 1 são de carácter universal para os Fuzileiros. Constituem a sua máxima aptidão e partem da definição, da classificação e da caracterização das Operações Anfíbias.
As missões contidas no vértice 2 cor-respondem e representam, quer em tempo de paz, quer em tempo de guerra, uma responsabilidade da Marinha e dos Fuzileiros,
face a:
Eclosão de acções de guerrilha marítima, que ponham em perigo alvos importantes, nomeadamente:
Sabotagens em plataformas petrolíferas;
Captura de cargas e de navios;
Incremento de operações económicas clandestinas, que perturbem e pre-judiquem a economia do País, como sejam:
Embarque e desembarques clandestinos;
Fuga de bens por mar;
Ameaça sobre pontos importantes e sensíveis instalados no litoral;
Acções de terrorismo, de narcotráfico, de imigração ilegal e de poluição marítima;
As missões contidas no vértice 3 envolvem o empenhamento em recursos fluviais, como sejam:
Controlo e patrulhamento;
Evacuação e abastecimento de populações;
Defesa e vigilância de instalações ribeirinhas;
Utilização como eixo de aproximação a um objectivo;
Projecção de escalões de combate.
Cada Marinha procura entender a capacidade de PROJECÇÃO DE PODER, a partir do mar, tendo em conta aspectos específicos resultantes das suas próprias responsabilidades perante o País, das suas possibilidades, necessidades e formação doutrinária.
Procurei estabelecer pontos de partida e ajustar princípios ao caso concreto de Angola.
Do chamado Triângulo das Missões, retiraram-se tarefas decorrentes da configuração de forças e de dispositivos operacionais.
Para além disso, importa salientar que os Fuzileiros têm formação e treino para executarem missões de defesa e segurança de instalações militares, o que poderá constituir uma importante mais-valia tendo em consideração a experiência adquirida, pois algumas das técnicas operacionais utilizadas naquele tipo de operações exigem um desempenho semelhante ao exigido para a execução naquelas missões.
Em resumo, há que ter a noção clara da importância decisiva da necessidade da existência de forças que utilizam métodos especiais, porque o seu ambiente de actuação é específico e que essas forças devem ser dotadas de meios e treinadas - táctica e tecnicamente - para estarem preparadas para a execução de tarefas que se enquadrem nas missões do ramo a que pertence.
Neste caso, se a Marinha de Guerra Angolana não dispuser do vector de Fuzileiros, ou se deles dispuser só de forma mitigada, muito dificilmente se encontrará em condições de cumprir a sua própria missão principal.
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