revistamarinha@yahoo.com.br
 
 
Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
Clique para aumentar Manchete
Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
REPORTAGEM
MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
REPORTAGEM
         
 
"É necessário termos cuidado com a fronteira"
CFR Augusto Lourenço

RM - Sua Excelência terminou a visita hoje, que balanço faz?
CEMM - O balanço é francamente positivo, porquanto notamos o engajamento dos camaradas, a resolução das questões que uma unidade tem habitualmente. Depois, havia algumas mais específicas, que nós constatamos aquando da nossa vinda o ano passado, vimos que 75% delas foram superadas e isso me satisfaz.

RM - Percorreu algumas Unidades, quais as principais preocupações que encontrou?
CEMM - Bom! A Unidade Principal que nós tínhamos que visitar é o Sumba, onde está o pessoal ligado ao Batalhão de Fuzileiros e aí é uma zona quase inóspita. Muitas dificuldades. O problema da água, o problema do próprio acesso à Unidade, o problema sobre a forma como os camaradas vivem…, habitam. Enfim, são militares, levamos as preocupações para depois sugerirmos, orientarmos como resolver os problemas, mas são mesmopreocupantes.

RM - E a visita à Cabeça da Cobra?
CEMM - Na Cabeça da Cobra estará lá o futuro Posto de Observação Rádio-Técnico. Naturalmente, era um dos objectivos principais da nossa visita. Pensamos que está à bom ritmo. Em termos de infra-estruturas está tudo pronto, praticamente falta apenas a aplicação do próprio Radar. Estamos a espera que os técnicos abalizados para tal cheguem ao país e pensamos que dentro de (3) três meses estaremos em altura de inaugurar tudo.

RM - Vamos comemorar 30 anos e a Marinha tem muitos motivos para comemorar?
CEMM - Para ser sincero não temos! Bom… é sempre motivo de satisfação os 30 anos de uma estrutura como a Marinha. é já algum tempo. Para quem começou do zero, em 1976, mas em contra partida em termos técnicos, em termos de meios, para a instrução e patrulha não crescemos nada, antes pelo contrário. Será uma data para reflexão. É isto que eu transmito aos oficiais, aos meus colegas, soldados, sargentos e Praças. É uma data de reflexão.

RM - Excelência foi um dos primeiros comandantes do Soyo. o regresso ao Soyo representa sempre um motivo de lembranças, de memórias?
CEMM - Claro! Eu fui o primeiro, quem abriu aqui esta Unidade. Foi a 7 de Fevereiro de 1978,tanto mais que no Soyo, Município do Soyo 7 de Fevereiro era um dia feriado. Vim nessa altura. Jovem ainda, recém regressado de Cuba, onde aprendi os primeiros passos como marinheiro, e…prontos. Era uma área que eu não conhecia. Imaginem, como jovem! Por isso, quando se vem aqui ao Soyo é sempre um regresso ao ponto onde nós demos os primeiros passos como chefe de uma grande Unidade. Por isso é sempre motivo de satisfação.

RM - Que meios é que trouxe na altura?
CEMM - Na altura, sabe, os portugueses tinham acabado de sair do país e trouxemos já navios, lanchas de Patrulha, navios de patrulha com a dimensão razoável, até quarenta e tal metros, que permitiam o patrulhamento e estarmos presente em todos os momentos. Acompanhando e apoiando as acções, alguns casos até das forças terrestres. Alguns desembarques fizemos e tudo.

RM - Como um dos primeiros comandantes do Soyo, certamente conhece a sensibilidade que representa esta área em termos de infiltração, como é que hoje se encara esse problema?
CEMM - Encaro com preocupação, porque se naquele tempo tínhámos alguns meios que ainda permitiam fiscalizarmos, hoje os meios existem, mas são mais exíguos, são mais pequenos. No caso de botes a motores, isto não é suficiente para podermos cobrir em toda sua extensão, com a aproximação necessária que deve ser feita. E no momento que se aproximam as eleições, certamente, é necessário termos cuidado com a fronteira, então, os meios agora impõem-se mais do que em qualquer outra altura.

RM - Como avalia a relação da marinha com a população local?
CEMM - É muito boa! Sempre foi. Mesmo desde o tempo colonial, a Marinha sempre teve uma influência na actividade sócio-económica deste povo. Então, com a Marinha Angolana não foi diferente. Olha, sendo nós marinheiros da Marinha Angolana, originários deste povo, a relação é muito melhor ainda. Então há sempre o espírito de inter-ajuda, nos momentos difíceis a população está sempre connosco, nós com eles, enfim, contribuímos até na solução de alguns problemas sociais deste povo.

RM - Teve uma reunião com os Oficiais da Base, quais foram as questões principais que foram levantadas pelos oficiais?
CEMM - Tive uma reunião com o pessoal da Zona Marítima, incluindo a Base Naval. foi satisfatória. Os Oficiais puderam exprimir as suas preocupações, quer relacionadas com o trabalho como de ordem pessoal. E sabe que não são poucas. O Soyo está distante de Luanda, enfim, aqui falta muita coisa. Algumas questões para solução dependem também de nós que somos os chefes. Mas também não depende só de nós, porque também temos que receber do mando superior. enfim, é complicado, mas…sabe, quando há diálogo, explicação, respostas aos problemas, os camaradas entendem melhor o porquê da falta disto ou daquilo.

RM - Para terminar, queria fazer uma pergunta que acho incontornável. Como leitor assíduo da Revista da Marinha que avaliação faz da Revista Marinha, pois foi uma das pessoas que contribuiu bastante para que ela existisse até hoje?
CEMM - Continua a melhorar e eu até aconselho os camaradas a continuarem nesta senda. Agora, a próxima meta é tentarmos aumentar o número de páginas. Sei que não é fácil, isso implica custos, mas a Direcção da Marinha promete que tudo fará para aumentar a quantidade de páginas, mas também melhorar a qualidade. Como primeira experiência, está no bom caminho, sim senhor!

 

 
 
Todos os direitos reservados © 2006 Revista Marinha
Design: Design: rrinformatica - rrweb@walla.com