|
AO
CHEFE DO ESTADO-MAIOR
DA MARINHA DE GUERRA
ANGOLANA
=LUANDA=
Excelência, Meu Almirante
Inadvertidamente, como aliás sempre o faço, lancei um olhar sobre o ca-lendário que tenho colocado sobre a minha secretária de trabalho e, eis que, saltou-me à vista, a data de 10 de Julho, dia da nossa Marinha de Guerra Angolana.
De repente, toda uma série de recordações vieram-me à mente. Dei-me conta que, afinal, o tempo passa muito rapidamente. No plano pessoal, recordei-me que numa bela tarde, de um belo 4 de Fevereiro, de um longínquo ano, entrei para a Marinha de Guerra Popular de Angola e, que já no seu primeiro aniversário eu fazia parte do seu quadro pessoal. Recordei-me que, embora pareça mentira, o meu "cordão umbilical militar" estava enterrado algures na Base Naval de Luanda.
Lançando um olhar retrospectivo para os 30 anos passados da nossa existência, enquanto ramo das Forças Armadas, dei-me conta, com profunda tristeza, que, finalmente, a nossa Marinha não era ainda aquela que Agostinho Neto reputava "necessária" ao nosso país. Todavia, acredito piamente que compete aos homens a determinação do seu destino.
Assim, tomei a liberdade de sonhar. E sonhei com uma marinha dotada de uma academia naval reputada no Mundo; sonhei com uma marinha dotada de uma forte base de manutenção e de reputação; sonhei com uma marinha dotada de navios de superfície, de submarinos, de aviação naval, de comandos e fuzileiros navais. Sonhei, enfim, com uma marinha com um grande peso específico no atlântico sul.
Não creio que a nossa geração esteja em tempo de realizar este lindo sonho. creio, todavia, ser ainda nosso dever lançar os alicerces para que a marinha seja de facto "necessária" a Angola. Se assim for, poderemos ter um longo repouso lá onde formos após a nossa morte. A M.G.A é nossa e, por isso, preocupamo-nos todos com o seu advir, embora não tenhamos o hábito de discutir publicamente estas matérias.
Neste momento de jubileu, permita-me, pois, Excelência, felicitá-lo pela coragem e paciência com que vem dirigindo a M.G.A por rumos tortuosos e sinuosos, esperando que nos conduza sãos e salvos a bom porto. Se não for muito exigir, ficar-lhe-ia profundamente grato se tivesse a indulgência de transmitir as minhas mais sinceras felicitações a todo o pessoal da marinha pelo aniversário que se comemora.
Que haja bons ventos!
António José Oliveira Miranda
|