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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
REPORTAGEM
MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
CIÊNCIA E TÉCNICA
         
 
Sistema de gestão de manutenção
VALM- Pedro Vemba

Os elevados investimentos efectuados na aquisição de navios e os crescentes encargos com a sua exploração no que se refere a despesas com pessoal, combustível e outros consumíveis, exigem que as imobilizações inesperadas resultantes de avarias, deterioração do material e outras deficiências sejam em reduzido número ou, se possível, sejam eliminadas.
Na eventualidade da ocorrência dessas anomalias nos mais diversos sistemas e equipamentos, propulsão, produção de energia eléctrica, manobra e governo, armamento, navegação, radiocomunicações, etc., pretende- se que a sua reparação e o seu retorno à actividade operacional eficiente seja feita o mais rápido e economicamente possível.
Para se conseguir os objectivos da eficiência e economia na exploração do navio, torna-se, portanto, necessário estabelecer uma organização com suporte técnico-administrativo, que exerça o controlo sobre as diversas estruturas, sistemas, máquinas, equipamentos e restante material por forma a que alguns casos, o funcionamento seja sujeito a um acompanhamento e registo. noutros casos, seja sujeito a inspecções, ensaios, medições, rotinas de limpeza, lubrificações, verificações dieléctricas, níveis de vibrações, tratamento anti- corrosivo, substituições de material, etc. Trata- se afinal, de estabelecer o que genericamente se designa por MANUTENÇÃO.
As intervenções de manutenção que implicam imobilização de máquinas ou sistemas ou até do próprio navio, têm de ser planeadas nos seus múltiplos aspectos como a existência de meios financeiros, capacidade técnica de intervenção, sobressalentes e outros materiais de substituição. Essas intervenções, se condicionarem a funções operacionais têm naturalmente de tomar em consideração a actividade operacional do navio.
O planeamento citado é obtido pelo subsistema de PLANEAMENTO DE INTERVENÇÕES DE MANUTENÇÃO (PIM).
Este subsistema visa programar as intervenções de manutenção preventiva e acções de manutenção correctiva não urgente, contribuindo para a existência de todos os meios necessários para a sua concretização, em condições eficientes e económicas, minimizando as interrupções de actividades operacionais.
Existem dois níveis de programação:
1. O nível 1 - Descentralizado, da competência da unidade naval;
2. O nível 2 - Centralizado, sujeito à gestão integrada de MANUTENÇÃO.
A programação das intervenções do nível 1 é da competência do gestor de manutenção a bordo. Neste grupo estão incluídas as intervenções de periodicidade semanal ou superior a realizar com os meios de bordo.
A programação do nível 2 é efectuada a médio e longo prazos, num horizonte de 6 anos ajustável anualmente, onde são inscritas as intervenções que requerem equipas de trabalho e meios exteriores à tripulação.
É também incluída na programação do nível 2 a inspecção anual a levar a cabo pela Direcção de Armamento e Técnica do Estado Maior da Marinha às diversas unidades de superfície, que tem por objectivo avaliar o estado do material e o cumprimento da metodologia de manutenção.
Existe ainda o chamado SUBSISTEMA DE MANUTENÇÃO PLANEADA que tem por objectivo dotar a actividade de manutenção de informação técnica e logística necessária às intervenções de manutenção preventivas. É constituído por um conjunto de documentação que indica para o material classificado funcionalmente o grupo de intervenções a efectuar, sua periodicidade, qualificação do agente executante, duração estimada, ferramentas e material necessários, precauções de segurança na execução, descrição da execução e elementos de registo necessários.
Este subsistema é ainda constituído por um conjunto de documentação elaborada em linguagem simples e concisa, com recurso a imagens gráficas de fácil assimilação e particularmente orientado para as intervenções levadas a cabo pela tripulação. Para as intervenções com recurso a estaleiros, oficinas e outras entidades, a documentação contém descrições sucintas e não dispensa o recurso às intervenções e manuais dos fabricantes.
No referente ao executante e complexidade de execução, as intervenções são classificadas em quatro escalões a saber:
1. 1º Escalão - intervenções de manutenção preventiva a levar a cabo pela tripulação e que não exigem desmontagens nem imobilizações (situam- se neste caso a verificação de níveis de lubrificantes, o ensaio de alarmes, as inspecções visuais, etc.
2. 2º Escalão - intervenções de manutenção preventiva a levar a cabo pela tripulação e que exigem algumas desmontagens e imobilizações (situam- se neste caso as verificações de folgas de válvulas dos motores Diesel, substituição de ânodos de protecção catódica em permutadores de calor).
3. 3º Escalão - intervenção de manutenção preventiva a levar a cabo por órgãos de apoio de Base.
4. 4º Escalão - intervenção de manutenção preventiva a executar por estaleiro, oficinas ou agentes exteriores ao Ramo.
Partindo das instruções dos diversos fabricantes das máquinas e dos equipamentos, juntando conhecimentos técnicos gerais sobre o material de bordo e os condicionalismos da exploração do navio, designadamente o nível de formação técnica da estabilidade da tripulação e das possibilidades de assistência e apoio na base de reparações, é possível elaborar um conjunto de documentos, que descrevam qual o tipo de actuação a levar a cabo, quais as acções de conservação e manutenção, quando se devem executar e quem as deve levar a cabo. Este conjunto de documentação se designa por SUBSISTEMA DE MANUTENÇÃO PLANEADA.
Durante a utilização do navio, o conhe-cimento que se vai adquirindo sobre o comportamento do mesmo, as taxas de utilização dos diversos equipamentos, as avarias que vão ocorrendo, o estado do material em sucessivas intervenções técnicas periódicas, etc., exigem um registo devidamente organizado que depois de analisado permite acções mais racionais, económicas e eficientes, quer na utilização quer na manutenção do material.
Neste caso há que estabelecer um registo histórico de dados técnicos e funcionais que interessam a exploração do navio, que constitui o SISTEMA DE RECOLHA E PROCESSAMENTO DE DADOS (RPD).
As acções de manutenção exigem a existência no momento necessário de ferramentas gerais e especiais, aparelhagem de medida, calibração e aferição, sobressalentes e demais material de substituição, além da tecnologia de reparação.
Há que se dispor de ferramental necessário e de sobressalentes e outro material consumível na qualidade e quantidades adequadas. Neste último caso, existência de aprovisionamento de sobressalentes e material consumível e um ponto crítico que requer particular atenção, pois se a existência de "STOCKS" excessivos representa desperdícios de gastos a ausência de material necessário redunda em atrasos e outros prejuízos com forte incidência operacional.
Existe assim, a necessidade de agregar à MANUTENÇÃO, a gestão dos sobressalentes através de um subsistema de GESTÃO INTEGRADA DE SOBRESSALENTES.
Todas estas operações têm de ser integradas e aplicadas de uma forma harmoniosa. Tal só se consegue através da existência de um SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO
O desenvolvimento do SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO baseia-se nos seguintes princípios:
· A fiabilidade da unidade naval é uma função complexa da fiabilidade dos diversos componentes, logo é uma função aleatória por natureza;
· A manutenção não é um fim em si próprio, devendo subordinar- se à função operacional;
· O SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO deve tratar todo o material de uma forma integrada, sem prejuízo da especificidade do material como função da sua natureza;
· As intervenções que exigem imobilizações do material devem ser reduzidas ao mínimo, visando a detecção de avarias incipientes;
· Os registos de trabalhos e avarias devem ser reduzidos aos aspectos importantes;
· A obtenção de navios e sua gestão deve ser centralizada;
· A execução de actividades de manutenção deve ser descentralizada;
· Devem existir controlos periódicos para determinação da eficiência do esforço de manutenção.
No essencial, o SISTEMA DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO é uma estrutura organizativa com um suporte técnico-administrtivo que:
1. Define o tipo de manutenção a executar no diverso material do navio de acordo com a sua natureza, concepção e função;
2. Descreve os trabalhos de conservação e manutenção a efectuar, seus executantes, ferramentas e aparelhagem necessária, tempo médio de execução e respectiva periodicidade.

 

 
 
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