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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
REPORTAGEM
MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
CIÊNCIA E TÉCNICA
         
 
Melhorar a gestão dos recursos financeiros
Tenente-de-Fragata Wene Gaspar

Para uma melhor gestão de recursos financeiros, na Marinha em particular e nas Forças Armadas em geral, urge a necessidade da criação de um sistema integrado de informação financeira e adaptá-lo a um sistema de informação de gestão de defesa nacional. Esta evolução terá implícita uma profunda transformação do sistema de admi-nistração financeira da Marinha e das FAA que irá abranger a actuação dos responsáveis e órgãos da Direcção de finanças, abrangendo o desenvolvimento de novas atitudes, conhecimentos e perícias de âmbito financeiro.
Neste quadro, é de referir que a colaboração dos vários comandos, direcções e chefias da Marinha neste processo imprescindível é na minha modesta e humilde opinião, nas suas vertentes financeiras e de controlo patrimonial, pois só assim será possível fazer a integração com segurança e confiança deste sistema de gestão, com vantagens para a Marinha e para coerência de processos nas Forças Armadas. Esta é, aliás, a linha que está a ser seguida em todas as Marinhas modernas, com uma aposta clara na racionalização dos recursos disponíveis.
A realidade da construção da Marinha do futuro coloca sérias exigências a nossa vontade e capacidade de avaliar a sustentabilidade financeira futura das forças e das respectivas condições de operação.
O sistema financeiro da Marinha deve estar em condições de responder a este desafio, apostando na capacidade de projectar, numa perspectiva plurianual e em antecipação, os cenários de actuação e os níveis de financiamentos que garantam a obtenção do máximo rendimento dos investimentos efectuados, a apresentar os elementos indispensáveis à avaliação da necessidade e possibilidade da sua concretização.
Relevo ainda a importância da conti-nuação das inspecções e auditorias, quer sejam internas ou externas ao ramo, como factor motivador para a elevação do nível de disponibilidade e de transparência da gestão, em consonância com as exigências da administração pública moderna e que poderá potenciar o plano de qualificação de recursos, através da aferição da respectiva qualidade.
Mas para que a marinha continue a navegar em águas seguras, é necessário saber sustentar as decisões em critérios de eficiência. E isto passa também por saber utilizar com mestria as ferramentas indispensáveis hoje em dia para uma gestão sem mácula, que a contabilidade põe à sua disposição. Não basta apenas saber planear. É preciso saber acompanhar criteriosamente o percurso percorrido e compará-lo com o estimado, pois só assim será possível proceder às devidas correcções em tempo útil e entender, com rigor, os motivos dos desvios.
Angola vive um momento difícil.
Todos sabemos o que o país está a fazer para se recuperar desta situação e as dificuldades que este esforço representa para cada angolano. A Marinha não é, nem poderia ser, uma excepção.
Temos assim que procurar soluções inovadoras que permitam, com "talent de bien faire", cumprir a nobre missão que nos é atribuída, que é tão simplesmente a defesa dos interesses do mar.
A modernização da Marinha é um imperativo nacional. Terá que ser feita com as pessoas que a servem, aquelas que lhe dão o seu melhor em cada dia.
A Marinha de hoje tem de ser uma instituição moderna, integrada na sociedade que serve e donde provém, pautada pelo vigor, pela norma e pela interdependência, visando um bem maior, ao serviço do país.
A estratégia passa, sobretudo, pela adaptação das organizações às mudanças estruturais do ambiente.
É isso que temos de fazer .
Em regra, as operações e envolvimentos das Forças Armadas no presente e no futuro serão conjuntas. Existe, porém, uma verdade insofismável que se traduz, muito simplesmente, no facto de que não há conjunto sem partes. Isto significa que continuamos a precisar e saber fazer, e bem, o que nos cabe individualmente, porque é certo que a vulnerabilidade do todo, será sempre da componente menos eficaz.
O conjunto tem inegáveis vantagens. Passam por aproximações sinérgicas, operativas, solidárias e não dominante, como veicúlo imprescindível à confiança que potencia a mais valia do todo, em relação à soma das partes.
Há que atingir efeitos eficientemente. Isso passa pela aplicação racional dos potenciais disponíveis.
Decorrendo daqui, a necessidade de optimizar a articulação com entidades exteriores à Marinha. Esta articulação é fundamental para a optimização dos recursos que são hoje ainda mais escassos enquanto que, paradoxalmente, aumentam as solicitações.
A responsabilidade desta particulação é distribuída pelos diversos patamares hierárquicos, os aspectos funcionais, mas compete às chefias superiores da Marinha garantir a coerência e linearidade dos processos.
Reputo de imprescindível abertura da Marinha ao ambiente externo, a sociedade civil, ao saber, à cultura, à economia, à colaboração com os outros Ramos em matéria de interesse comum e, é claro, ao estrangeiro e aos nossos parceiros.
Temos que reaprender a nossa situação na sociedade, conhecer o passado , compreender o presente e preparar o futuro, cotejando conceito e aspirações com possibilidades. Os sistemas fechados não evoluem, não se adaptam, soçobram.
Temos, igualmente, muita coisa a oferecer: valores -os nossos - de serviço ao país- da organização, da eficiência, da disciplina, da auto- contenção e, sobretudo da seriedade.
Devemos evidenciar que o investimento na nossa Marinha nas suas vertentes de actuação militar de serviço público e diplomática, gera dividendos, não devendo, por isso, ser considerada numa visão estritamente economicista como mera rubrica de despesa.
Servir o país é o nosso único desígnio. Tudo deveremos fazer para que este serviço seja prestado, progressivamente, com melhor qualidade.
Investir na Marinha é fazer cumprir interesses estratégicos do mar.
Devemos ter a confiança no futuro da Marinha e do país. E certos de que, juntos, seremos capazes de vencer tormentas e continuar servindo Angola e os angolanos no mar.
Que a sorte nos acompanhe nesta nobre missão. Bons ventos e mar de feição.

 

 
 
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