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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
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MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
CORRENTE DE BENGUELA
         
 

Tapete verde do Compão-Lobito

CMG João da Cruz Sangueve

O estar vestido é um constructo social do fenómeno cultural, desde os primórdios da nossa civilização, para se proteger das intempéries naturais ou provocadas. Isto, decorre do facto de que o homem é um ser bastante frágil. Basta olhar para as pessoas de diferentes latitudes como se equipam durante o Inverno, não falando já dos povos dos círculos polares. É o único ser que toma leite durante toda a sua vida. A criança toma leite, o adolescente toma leite, o adulto toma leite. Quer isto dizer que, o homem está constantemente a tomar leite para fortalecer os ossos.
O cabrito sai do ventre da mãe, expe-rimenta algumas dificuldades no primeiro dia, dançando kabetula por causa da moleza nas pernas, mama durante alguns dias e depois se manda para a sua vida. O cabrito não precisa de roupas, aguenta todo o tipo de alteração climática, já tem a sua manta natural. Agora, o dito cujo homem, para se vestir necessita de comprar roupas e inclusive aqueles objectos tipificados como de luxo e tudo aquilo que melhore o seu bem-estar.
E lá está, esses objectos, depois do seu tempo útil, fazendo fé na "Lei das carreiras Militares" voluntária ou obrigatoriamente, são licenciados à Reforma ou à Reserva.
O Residencial Marinha do Compão, teve um morador que comprara um tapete com a distinção de verde. O tapete, no fim da sua vida útil, foi licenciado à Reserva e não à Reforma, conforme veremos mais adiante. Devo dizer apenas, que o referido morador foi genial no seu gesto. Teve uma impressionante projecção futurista, de encher os olhos dos moradores vindouros da casa.
O caso que relato aos caros leitores desta revista, vem a propósito de um amigo meu, mas amigo mesmo, de dedo e unha, como se diz entre nós, em família. O tempo em Angola é dividido em blocos: Há, indiscutivelmente, o bloco dos sábados e domingos, o bloco dos feriados, o bloco de férias para quem trabalha, o bloco dos dias de doenças que podem ser verdadeiras ou de arte; estas comummente chamadas de "doenças políticas" e o bloco dos dias de óbitos (parentes e vizinhos). O resto é que fazemos de contas que estamos a bumbar para o patrão…………
O objecto desta escrita não é falar sobre os blocos críticos, mas sobre o bloco dos feriados, exactamente sobre o 4 de Abril Dia da Paz.
O meu amigo, de dedo e unha, é de estatura baixa, se estivéssemos nos anos de 1961, o chamaria de irmão cambuta. Em trajes, ele gosta vestir-se à sua semelhança, sobretudo nos feriados como o de 4 de Abril, curte um calção que ultimamente comprou de um fundo branco e algumas pintas azuis, igual à pele daquelas cabeças de gado que levam o nome de "vaca malhada". A camisa do meu amigo não é aquela que se esconde entre o cinto e o nosso corpo, é aquela camisa que desce direitinho mas, perpassa os bolsos do calção. E mais, o calção do camarada é desses do século XXI, que chega até à metade entre o joelho e o tornozelo, eu chamo este calção de cinquenta por cento (50%). Como chinelo, usa aquelas sandálias tipo russas, só que me confidenciou que encomendou-as da sede municipal de Bocoio.
Dia 4 de Abril-Dia da Paz, seguido pelo feriadão da morte e ressurreição do Menino e Salvador do Mundo - Jesus Cristo, o meu amigo farto de passar o dia no Residencial, resolve dar um passeio, passando pela Sodispal, Cine Nimas, não sei se passou pelo Apólo, Mercado, Pastelaria Áurea, Unidade Operativa e tudo quanto é, o certo é que regressou às 22h. Hora para muitos, de dar cabeçadas nos postes de luz, por causa do sono.
Mal chegou ao Residencial, dirigiu-se ao seu quarto para a inspecção e controlo da cama. Mas, inconformado não sei de quê, desce e encosta a porta de entrada para apanhar uma frescura no jardim do imóvel - segundo ele. Afinal, a porta trancou-se.
O coitado do meu amigo, não deu conta do fenómeno e decide subir ao quarto para descansar ou dormir. Maldita hora. Quando estende o garfo dele (braço) à porta, forçando-a! Nada. Com aquela brisa do Lobito, começou a transpirar. Na barriga. Taus! Imagine caro leitor, a reacção que toma conta de nós, nessas situações operativas. E toca a chamar aos gritos os moradores do 1º Andar, nada. Todos estavam no ponto de ebulição do sono. O amigo começa a dar voltas ao edifício para ver se encontra um vulto para lhe fazer entender a si-tuação. O curioso é que, o camarada vive no Residencial há quatro anos e não sabia que o prédio tinha duas portas de entrada: uma frontal e outra lateral.
E é aí, onde o grande cientista, ex-morador do Residencial e dono do tapete verde, se destaca pela sua sapiência em ter licenciado o tapete verde à Reserva, pois este tapete encontrava-se na área das fossas cépticas entre o anexo e o edifício central.
O meu amigo, não fez mais nada. Talvez, forçado pela quadra Pascal, morte e ressurreição de Jesus Cristo, recolheu o tapete e sobre ele poisou o seu corpo. Por ironia dos factos, poisou no território da mosquitada. Imaginem o duelo entre o meu amigo e os insurrectos mosquitos. Aliás, os caros leitores sabem que, agora, na era da globalização os mosquitos não respeitam os fármacos receitados. Já não respeitam o " New Super Tox" (shaltoxi), dizem que é puro perfume francês para utilizarem nas suas saídas vespertinas. O dragão é o fumo do cigarro AC da FTU, já estão fartos de o sentirem, a ventoinha é como o CD do Damásio degustam-se daquela música "MBoa Ana" e tarracham a vítima chupando-lhes o precioso líquido vermelho.
O meu amigo, essa coisa de igreja, culto, não é com ele. Mas, não sei! Se é sorte dele ou então é feitiço da Cabaia que moveu um nosso vizinho, por sinal curtiu nessa noite uma de boémio chegando à sua casa às duas ou três da manhã e estava a buzinar para o seu guarda no sentido de lhe abrir o portão. Aí, o meu amigo levantou as orelhas um buzinaço, epá! Não pode! É o Tenente Michel que chegou ou não? Deixe-me aproveitar. Mexeu as pernas, não disse obrigado ao tapete verde e foi dando mais umas voltas ao prédio, de repente, encontra a porta lateral. Empurrou-a e ainda sorriu um bocadinho, sou eu mesmo! Entrou sorrateiramente para o seu quarto e, por cima gritou: Viva o 4 de Abril! Nessa odisseia, parecia um tcham-tchum, nesses filmes de Ong-Bang. Assim aconteceu e, assim, o meu amigo baixinho de calção malhado passou o feriado consagrado ao dia da Paz. Aleluia.

RM- Falou em canoagem e Vela. Também foram adquiridos equipamentos para essas modalidades?

CMG H- Em termos de embarcações para desportos naúticos, a Marinha conta com apenas quatro embarcações para canoagem. Estas embarcações não foram compradas pela Marinha, mas sim ofertas do Clube Naval. O Clube Naval ofereceu determinadas embarcações para diferentes instituições que praticam a modalidade. Em vela, infelizmente não temos qualquer embarcação, mas já existe um programa para este ano adquirirem-se muitas embarcações, quer de vela, canoagem e remo. Porque também a MGA está a fazer o enquadramento de novos mancebos, é fundamental que estes mancebos para serem marinheiros, comecem a tomar contacto com o mar a partir da instrução básica. Quer dizer que vão começar a remar ou a velejar a partir da recruta. Quando terminarem a recrutam serão homens prontos para competir.

RM- Como avalia a relação com o Clube Náutico e o Clube Náutico Militar?

CMG- A Marinha tem parceria com o Clube Naval. Agora com o Clube Náutico Militar. apenas contactos, mas este ano vamos partir para novos projectos de parceria.

RM- Planos para 2007?

CMG- Em relação a 2007, temos programado uma série de actividades para a expansão do desporto no Ramo. Neste momento estamos a preparar a nossa participação para os jogos entre os Ramos programados pelo Estado-maior General. De Maio a Outubro vão decorrer os campeonatos. Em Maio vai ter lugar a superação de obstáculos, que vai ser organizado pelo Exército. Em Julho, atletismo e xadrez; e em Agosto, Voleibol e Basquetebol, pela FAN, corta-mato, trialto e boxe. Outubro, futebol 11, futsal, andebol, pela Marinha. Temos programado o empossamento dos sub-comités desportivos nas zonas 2, 3 e 4 e Núcleos desportivos na EEN e Comando da Força de Fuzileiros Navais.

 

 
 
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