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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
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ENTREVISTA
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GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
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FLASH
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DESPORTO
         
 

Marinheiro representa Angola em torneio internacional

O Tenente-de-Fragatas - Fuzileiro Benjamim de Almeida Borges "Ninja" é responsável da Educação Física da Força de Fuzileiros Navais. Formou-se como monitor de Educação Física Militar na Escola Comandante Gika, em 1989. Beneficiou de um curso de formadores das FAA promovido pelo EMG/FAA na Província da Huíla. Actualmente é o responsável pela Educação Física no Comando da Força de Fuzileiros Navais e sempre que solicitado pela Escola de Fuzileiro ali vai como Monitor de Educação Física.

TTN Kit-Carson

RM: Qual é a sua especialidade dentro da área de educação física?

BAB: Estou mais engajado na área de defesa pessoal.

RM: Qual é a importância da arte de defesa pessoal para um militar das Forças Especiais ou Fuzileiros?

BAB: A defesa pessoal não só nas forças especiais qualifica o militar elevando a sua aptidão física, mas não o levando a actos de agressividade, mas sim absorvendo uma preparação de defesa para qualquer ataque ou evento que o inimigo estiver a proceder contra o mesmo e este poder defender-se.

RM: No âmbito da GAM chama-se defesa pessoal, em outra vertente como se poderá chamar?

BAB: - Pode ser Chamado karaté-Dó, pois ele veio desde os tempos da ge-ração de Buda, dela surge a defesa pessoal e dentro do GAM, a defesa pessoal engloba todas as modalidades de lutas como Judo, Kirk-Boxe, Boxe, enfim. Já o LCC*, exige agressividade por parte de quem a pratica. Por se tratar de um estilo sem regras onde o indivíduo se calhar pode entrar e sair não de corpo e alma.

RM: Quer com estas palavras dizer que um tropa especial deve ser agressivo?

BAB: - Eu como técnico desta modalidade aconselho a todo o tropa especial a prática da mesma, porque esta arte é aconselhável para os exercícios de penetrações e perseguições a que estão sujeitos. Pode dar-se o caso do alvo estar preparado em defesa pessoal e se o tropa não tiver essa formação não conseguirá cumprir o seu papel e aí vai ao final. Daí a importância das artes marciais.

RM: Falou em artes marciais e isto requer equipamentos afins, como é que as forças se encontram em termos de equipamentos?

BAB: É uma questão muito pertinente! Temos estado a formar mi-litares em defesa pessoal. No passado, nós tínhamos as mínimas condições. Hoje nós o fizemos mais por amor.

RM: Chamam-lhe de Ninja, tem formação nessa área?

BAB: Eu treinei karaté, na altura dei o chotokan, fiz o Gojeryó onde no ano passado terminei o kashikay, Adaryó e o Shitoryó. Actualmente estou no Ge-Kyef. As artes marciais como tal repartem-se um pouco com o TayKuandho e nós estamos a praticar o karaté-do e aí existem dois estilos diferentes como o Shotokan e o Gojeryó.
Já fui campeão provincial nessa modalidade por seis vezes, também já fui campeão nacional de karaté mais especificamente em Katas. Participei em competições internacionais no Zonal Africano, preparei as Selecções na área de Katas em Opens individuais. Infelizmente nunca tive o apoio nem do Comité Olímpico da MGA ou do próprio Ramo. Reconheço também que nunca ofereci qualquer medalha à Marinha, porém um dia o farei, pois tenho muitas.

RM: A modalidade de defesa pessoal não faz parte dos jogos militares, será que este ano poderá inscrever-se e fazer parte?

BAB: Sou professor e como tal faço parte do comité preparador dos jogos militares e esta tem sido a minha luta, fazer com que a modalidade seja inserida. É pretensão minha criar uma equipa militar de artes marciais, onde participariam militares dos três Ramos. Já contactei elementos do Comité Olímpico do Ramo e do EMG/FAA e até ao momento ainda não tive uma resposta favorável, mas a esperança continua forte e viva, quem sabe poderá ser inserida. À seme-lhança do Boxe, também queremos criar uma equipa de Karaté e de Luta Greco-romana no Comité Olímpico da MGA.

RM: Quem deve fazer parte do GAM e em que condições?

BAB: Só participa do GAM aquele que tiver a pressão cardíaca acima dos 10 e estes devem ter um acompanhamento médico constante.

RM: Já podemos contar com essa modalidades no Comité Olímpico da MGA?

BAB: Espero que assim seja, pois seria uma mais-valia para o Comité Olímpico da MGA, pois nós temos tudo organizado e só nos falta o aval do próprio Comité.

RM: - Como se encontram em termos de Infra-estruturas para a prática dessas modalidades?

BAB: - Há coisa de dois anos, dei uma formação de defesa pessoal na força de fuzileiros navais e havia utilizado uma sala na Base naval de Luanda, que até ao momento ali continua disponível e precisando apenas de uma reparação ligeira e pintura. Aí mesmo poderemos desenvolver os nossos trabalhos, assim como também podemos ali instalar um ringue para a prática do Boxe.

RM: - Como se encontram em termos de pessoal?

BAB: - Pessoal nunca foi questão, pois todos estão à espera que as portas sejam abertas para poderem participar. A título de exemplo: muitos dos antigos atletas da modalidade no Ramo, já se ofereceram para dar continuidade. Numericamente já temos acima de duas dezenas de atletas seleccionados e poderão surgir mais. Pretendemos treinar os atletas em regime bidiário.

RM: - Fale um pouco da modalidade fora do quartel?

BAB: - Eu digo-o com grande orgulho, pois aquele que pratica é aquele que gosta do que faz! A arte marcial não é para quem quer, mas para quem nela aposta e vai até ao fim. Eu assim tenho feito e hoje ostento orgulhosamente o Segundo Dan* e espero fazer o Terceiro, daqui a um ano em Portugal. Para se participar em campeonatos nacionais ou internacionais é necessário uma preparação, que vem dos campeonatos provinciais, nacionais e depois ser seleccionado para uma participação internacional.

RM: Alguma vez foi federado?

BAB: Sou federado, sim. Pertenço ao Sporting Clube de Luanda.

RM: Não fez parte do clube dos Ninjas da Vila-Alice?

BAB: Não! Mas estes também já foram. O nome de ninja vem das participações de defesa pessoal nas competições realizadas ao nível das Forças Armadas e para destacar a minha figura junto dos alunos. Como representante do Ramo em competições, mesmo sem nunca ser convocado, tenho aparecido para fazer demonstrações.

RM: Uma mensagem para as chefias e para os atletas em geral?

BAB: A mensagem é que se deve velar pela modalidade e não a deixarem morrer, que a olhassem como uma modalidade que pode ajudar a preparar os militares para obterem a aptidão física e estar preparado para o que der e vier, isto mais para as forças especiais "Fuzileiros". E para os demais militares e atletas que queiram participar as portas estão abertas. De momento faz-nos falta o apoio moral e o material, mas tudo poderá vir com o tempo, porque o que mais nos interessa é revitalizar a modalidade dentro do Ramo. Defesa = De de Demolição ou seja agressividade. Fé = ter fé no que faz. SA = de santidade. Significa dizer que o atleta deve levar à peito a modalidade que pratica e a decisão de vencer as vicissitudes que delas advierem. Este conceito deve ser empregue de acordo com a pirâmide invertida. Partindo da santidade, fé e finalmente na agressividade ou seja demolição. A mente dita, o corpo aceita, avalia e depois executa a ordem.
Tudo faz falta na vida e possui significado.

*Dan = Um conjunto de Kyus necessários para a classificação de um determinado atleta dentro da sua especialidade.
*LCC= Luta de Corpo-Corpo
Karaté-do = Luta de mãos vazias.

 

 
 
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