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O acelerado processo de reconstrução de Angola, seu extenso e belíssimo litoral, sua rica história e seu povo hospitaleiro formam a combinação perfeita para a introdução do turismo de cruzeiros, que movimenta mais de 40 biliões de dólares, todos os anos, no mundo. Uma fatia desses recursos pode aportar em Angola.
No Hemisfério Norte, o longo período de Inverno tem propiciado a que, durante o longo Verão dos trópicos, as enormes e belas embarcações - os transatlânticos - mudem suas rotas para o Sul, o que tem beneficiado muito o Caribe, assim como as costas brasileira e argentina.
O crescimento dessa actividade turística, no mundo, é estimulado, em parte, também, pelo aumento de demanda por lazer dos últimos anos. Os cruzeiros marítimos movimentam mais de USD 25,4 biliões por ano e cerca de 10,4 milhões de pessoas em todo o mundo, em cerca de 300 navios, transportando, em média, 2.700 passageiros cada um. As perspectivas de crescimento são promissoras. Basta dizer que os cidadãos norte-americanos respondem por 84% da demanda mundial da indústria do turismo de cruzeiros marítimos e que a média de gastos por escala é de USD 82 por dia para cada cruzeirista.
De acordo com os dados da Cruise Lines International Association (CLIA), o Caribe e as Bahamas continuam a ser os destinos preferidos dos cruzeiros marítimos, com uma participação de 51% do total de passageiros que realizaram cruzeiros, em 2004. A Europa e o Mediterrâneo seguem em segundo lugar, atraindo 15% dos turistas, seguidos do Alasca (7,5%), da costa pacífica do México (6,8%), da costa oeste dos Estados Unidos da América (4,9%), do Canal do Panamá (2,8%), do Canadá e da Inglaterra (2,2%), e as Bermudas, com 1,8% do total.
No Brasil, na temporada 2005 / 2006, 230 mil brasileiros fizeram um cruzeiro. No actual Verão, a estimativa é de 330 mil, um crescimento de 100 mil passageiros. No Caribe e na Flórida há quase 40 embarcações de grande porte em operação, transportando mais de 45 mil passageiros em cruzeiros de 7 a 10 dias, em média, gerando empregos directos para 20 mil pessoas. Além dos empregos nas embarcações e nos pontos de atraque - ilhas privativas, ancoradouros especiais, bares, restaurantes, shopping centers e ou-tros equipamentos -, existe toda uma indústria de suporte à atividade, gerando ainda mais empregos e renda, a exemplo do suprimento de alimentação, de têxteis e até de mobiliário.
A título de exemplo, pode-se citar alguns dados de consumo de víveres no navio Grand Princess, o maior do mundo (300 m de comprimento, 50 m de largura e 8,5 m de calado): 480 kg de bananas, 100 kg de sal, 160 kg de cenouras, 800 kg de filé mignon, 450 kg de sorvetes e 400 ostras, entre outros, são consumidos diariamente pelos seus 2.600 passageiros e 1.100 tripulantes, por semana.
Um mercado em grande crescimento, os cruzeiros marítimos são equiparados, na visão mercadológica, a um resort flutuante, devido aos diversos serviços e actividades de lazer oferecidos, como aulas de ginástica, infra-estrutura aquática (piscina) e outros desportos. Os atractivos noturnos são variados, podendo ser destacados os bares (com música ao vivo), teatros e casinos, além da realização de festas.
A procura por novos destinos turísticos, aliada ao facto de os navios utilizados para cruzeiros marítimos contarem com uma ampla infra-estrutura de serviços, estão motivando, cada vez mais, os turistas a optarem por uma viagem de cruzeiro, na qual a diversão é a palavra-chave desse negócio. Como "novo destino", existe a oportunidade para Angola. A Carnival, maior companhia de cruzeiros marítimos do mundo, serve como exemplo dessa tendência, tendo em seu slogan a expressão Fun Ships, que significa "Navios Divertidos", ou seja, os turistas podem optar por lazer e divertimento, seja no próprio navio ou em suas escalas.
Tomando por base uma pesquisa realizada nos Estados Unidos da América, verifica-se que o perfil dos passageiros de cruzeiros marítimos, em sua grande maioria, é definido por pessoas casadas e que, além disso, o número de mulheres é superior ao dos homens. Contudo, surge agora a tendência de programações voltadas para o público jovem, aumentando ainda mais as perspectivas de negócios.
Brasil vem ampliando seu mercado de cruzeiros marítimos
O vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas Marítimas e director da Costa Cruzeiros, Sr. Renê Hermann, disse à imprensa que o sucesso dos cruzeiros chegou para ficar.
Nem bem a alta temporada do Verão 2006 chegava ao fim, o mercado brasileiro já comemorava o lançamento dos roteiros que compõem uma das opções mais concorridas da actualidade, que atende à crescente demanda turística doméstica e internacional.
Os números relativos à actual temporada de Verão dos cruzeiros marítimos no Brasil são suficientes para demonstrar a importância sócio-económica do segmento. São 12 navios em águas brasileiras, de Outubro de 2006 a Abril de 2007, um número 43,5 por cento acima do registado na estação anterior. O maior navio da temporada é o Costa Fortuna, actualmente o maior transatlântico em navegação na Europa, com capacidade para 3,5 mil turistas. Em 2005, o segmento gerou USD 16 milhões em comissões para agências de viagens brasileiras e os turistas deixaram USD 65 milhões nos portos brasileiros em que os navios atracaram. Enquanto o sector fala de crescimento mundial da ordem de 12%, o Brasil deve apresentar incremento de 20% este ano, em número de leitos. Hoje são mais de 75 mil leitos ofertados. Além de atender a crescente demanda, os navios asseguram para a América do Sul e, muito especialmente para o Brasil, merecido destaque no actual e competitivo cenário turístico global.
Esse crescimento beneficia, também, as agências de turismo receptivo que ampliam o seu mercado para a venda de outros produtos turísticos: serviços de city-tour, hospedagens, passeios, pacotes de eco turismo, entre outros, figuram entre as boas opções oferecidas antes, durante (nas escalas) e após o término de cada cruzeiro marítimo.
Enfim, com planeamento, ética e muito trabalho, os resultados positivos são inevitáveis e duradouros. Sem casuísmos e alegações infundadas, que alimentam a incompetência e que promovem falsas polémicas, os navios constituem vector estratégico para o desenvolvimento sócio-económico em qualquer país onde atracarem. Os cruzeiros atraem e deverão atrair, cada vez mais, tu-ristas e divisas para os países visitados; recolhem vultosas quantias em taxas e impostos; promovem e va-lorizam, com notável eficácia e em âmbito global, os belos destinos e atractivos turísticos; e cativam, comprovadamente, a fidelidade de turistas satisfeitos.
No caso específico de Angola, ainda podem gerar empregos qualificados, com justa remuneração para os angolanos, que passariam a reconhecer a sua importância e, assim, priorizar a qualidade dos serviços prestados aos seus clientes.
Angola tem potencial para desenvolver o sector
Angola possui um elevado potencial para o fomento desse segmento, pois dispõe de portos para isso, de vantagens comparativas (diversidade de atractivos naturais), com as ressalvas da fase de reconstrução, além do facto de o mercado de cruzeiros marítimos no Caribe já apresentar alguns sinais de saturação.
O País conta, também, com a vantagem de o Inverno no Hemisfério Norte - onde se concentra a maioria dos roteiros de viagem dos transatlânticos - corresponder ao Verão angolano, permitindo, assim, atender à demanda das empresas de cruzeiros, nesta época. Além disso, para essas empresas, a economia de custos é maior estando os navios em curso, ao invés de atracados ou fundeados, pois um navio atracado pode resultar, por exemplo, um prejuízo diário da ordem de USD 100 mil.
As operações portuárias constituem-se em um dos principais problemas que afectam o desenvolvimento do mercado de cruzeiros marítimos, seja em função das tarifas portuárias praticadas, seja por falta de uma infra-estrutura adequada. Esses óbices acabam por retirar vários países do planeamento de rotas dos navios de cruzeiro marítimo, ou mesmo diminuir as suas estadas. A melhoria, portanto, da logística portuária, que agilize, por exemplo, a operação de desembarque de turistas, é essencial.
Uma alternativa aos problemas acima mencionados reside na construção e/ou adequação de terminais especialmente voltados para o turismo marítimo, apropriados para operações com navios de cruzeiro, evitando-se, assim, problemas de congestionamento de navios e facilitando o acesso dos turistas à região abrangida pelo porto. Em relação aos portos de pequeno porte, a solução estaria na reformulação total de suas infra-estruturas, priorizando, com isso, os transatlânticos.
Fica claro, assim, o enorme potencial de Angola para atrair cruzeiros, ao qual deve corresponder um planeamento regional que, ao lado do conjunto de investimentos em infra-estrutura hoteleira e em serviços, os portos angolanos examinem a possibilidade de construir terminais especializados para navios de cruzeiro, propiciando, portanto, as condições necessárias para a sua transformação em ponto de convergência de cruzeiros marítimos que se voltam para o Atlântico Sul.
Considerando-se que as empresas de cruzeiros marítimos determinam os seus roteiros de viagem com dois anos de antecedência, esta é a altura de se pensar na questão.
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