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Ano 4 - Edição 9 - Jan/Fev/Mar 2007 - Distribuição gratuita
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Chuvas: Fuzileiros acodem vítimas em Luanda e Moxico
SUMÁRIO
EDITORIAL
DESTAQUES
ENTREVISTA
ÁLBUM
GENTE & ROSTOS
CIÊNCIA E TÉCNICA
DO ESTRANGEIRO
ESCOTILHA
REPORTAGEM
MARÇO MULHER
MEMÓRIA
FÓRUM
FLASH
ÚLTIMA HORA
CULTURA
PERFIL
REFLEXÃO
DOSSIER
DESPORTO
CORRENTE DE BENGUELA
CRÓNICA
ANCORANDO
PERFIL
         
 
Homem temperado nas grandes dificuldades
CFR Augusto Lourenço

No andar calmo, a sua aparência confunde quem o vê. Parece muito jovem.
Mas não. O Capitão Mariano Capuca tem 41 anos de idade e nasceu na comuna de Galangue, Chipindo, província da Huíla.
- "O sofrimento é que nos amadureceu até nos tornarmos homem. Há quem pense que a gente seja jovem , mas há quem pode pensar que sou muito mais velho. Mas pronto, a minha idade é mesmo essa. Toda confusão que a minha aparência pode provocar deve-se ao temperamento da própria situação, de crescermos nessa turbulência. Mas, nos sentimos fortes nisso", e termina num sorriso ofuscado pela concha da mão direita.
Devido à guerra, depois do falecimento do pai, passou a viver com o seu tio, pastor da Igreja Protestante, e dedicava-se à actividade do campo.
Como os meninos da sua idade, a farda o atraía. Por isso, quis sempre ser militar. Aos 14 de Outubro de 1983, com 17 anos ingressou no exército. Mas o primeiro dia nas fileiras foi uma grande aflição. A farda, a arma e os exercícios militares e o rigor o amendrontaram, mas aguentou. Fez primeiro treino militar de guerrilha, na Huíla, e mais tarde no Centro de Instrução num Batalhão regular, na Jamba. Especializou-se em logística, onde trabalhou durante dois anos, depois, em 1985, foi indicado para exercer as funções de serviço de pessoal, na defesa anti-aérea. Aí ficou até a assinatura dos acordos de Bicesse em 31 de Maio de 1991.
- A paz havia chegado. A alegria era muito grande!
Na companhia de companheiros seleccionados para participar no 1º Curso de Formação de Instrutores das FAA, Capuca, na altura Tenente, partiu de Mavinga com destino ao Centro de Instrução de Comandos de Cabo Ledo, Bengo. Viajar de avião não era novidade, pois já o fizera em operações na região de Likua e de Cazombo, mas Luanda era um mito. A expectativa de conhecer Luanda, a capital de Angola, era muito grande.
- Luanda era uma coisa, muito mons-truosa. Todo o tempo, devido a situa-ção, falava-se de Luanda. Mesmo quando pequeno, o meu irmão falava de Luanda.
Já era noite. A cidade estava bem iluminada. A aeronave fez-se à pista por volta das 20 horas. A chegada foi como viver um sonho.
Foram instalados na Escola de telecomunicações, comandante Economia. Permanceu aí sete dias. O pessoal era muito acolhedor. Certa manhã, partiu de carro até Cabo Ledo. Durante o trajecto saboreou até à exaustão a paisagem paradisíaca que a natureza generosamente lhe oferecia. Guloso, os seus olhos foram engolidos pelo mar. Chegou ao destino impressionado e feliz. Moravam juntos em mesmas casernas, partilhavam vivências e passeíavam juntos. Conheceu novos companheiros e fez novas amizades.
Lembra, que na altura, cada um procurava comprar no Roque Santeiro um aparelho de rádio e outros grandes gravadores. No momento de lazer ouviam música alta e programas políticos na Rádio Vorgan.
- Era um tumulto que ninguém aguentava! Tinha que haver ordem para disciplinar aquele comportamento.
Razão que levou o 2º Comandante Tenente Coronel Feijó a proibir a escuta de programas partidários. A perspectiva era formar um exército novo e apartidário, por isso devia se evitar divergências.
Aprenderam a mesma marcha e as mesmas canções. Conheceram os meandros do Acordos de Bicesse, a disciplina e a justiça militar.
Terminou o curso em Agosto. Com a patente de Tenente-de-Navio e foi alojado na Base Naval de Luanda. A sua patente era nova para si. Nunca ouvira falar da sua existência.
Capuca mostra-se feliz, mora com a mulher e quatro filhos em casa própria.
Era meio dia. O Capitão Mariano Capuca, olha para o trajecto e diz: O homem tempera-se na grande dificuldades.
De 1992 até hoje é para si um percurso de grandes histórias, uma grande escola. As FAA percorreram um caminho difícil.
Foi colocado na Defesa no Comando do Sistema de Armas de Defesa Costeira, chefiado pelo CMG Nelo. Alí funcionei como chefe de tropas de Artilharia Anti-Aérea, depois oficial adjunto para a preparação de mísseis, com o regresso das Unidades de Defesa Costeira ao Estado Maior da Força Aérea, como estava familia-rizado com o meio naval, decidiu ficar. Funcionou no Comando Naval e mais tarde no CLA (Comando Logístico e Administrativo), como oficial de Armamento. Depois de promovido à patente de Capitão-de-Corveta, em 2003, foi nomeado como oficial para o Emprego Combativo da Secção de Preparação Operadiva da Direcção de Opertações do Estado-Maior da Marinha de Guerra Angolana.
Gosto do que faço. Consegui reencontrar com a família, fazer amizades e sinto-me muito bem.

 

 
 
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