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REPORTAGEM |
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Fuzileiros navais resgatam 62 corpos em cacuaco
"As enxurradas que se abateram sobre a cidade de Luanda causaram várias vítimas humanas e avultados danos materiais. No final de vários dias de trabalho, o corpo de Fuzileiros Navais da Marinha de Guerra Angolana conseguiu resgatar 62 corpos na região de Cacuaco e um na região do bairro Golfo-2, perfazendo um total de 63 corpos recuperados. Na ponte da Vila do Gamek, os fuzileiros tiveram de fazer a travessia de duas mil pessoas impedidas de irem de uma margem à outra". |
CFR Augusto Lourenço
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Ainda chovia torrencialmente, quando, na manhã de segunda-feira, 22 de Janeiro o comando dos Fuzileiros Navais recebeu a ordem de Sua Excelência Vice-Chefe do Estado da Marinha Almirante Augusto da Silva Cunha "Gugu".
A localidade de Cacuaco estava a viver uma situação de calamidade. Situação semelhante também viam-se a braços as populações do Bairro Golfe junto à ponte da vila do Gamek, a caminho do Projecto "Nova Vida".
Prontamente, o comandante dos Fuzileiros Navais CMG - Bamba Zifua Zita Castro reuniu o seu Estado-Maior e os militares que estão habilitados a participar desse tipo de operações, nomeadamente os militares do Destacamento de Acções Especiais (DAE), dos Meios de Desembarque. Foi igualmente solicitado o apoio dos mergu-lhadores do Comando da Zona Marítima nº 2.
Dessa operação participaram um total de 31 militares, sendo 20 fuzileiros navais e 11 mergu-lhadores. Também contaram com o apoio da FAN através de helicópteros e do Corpo de Bombeiros, do Ministério do Interior.
Os Fuzileiros abriram duas frentes. a primeira estava direccionada ao mar com o uso de botes pneumáticos e a segunda em terra, pois havia lagoas formadas nos bairros, onde o acesso era difícil. Através dos helicópteros da FAN e com a técnica de Rapel e Spay, conseguiram introduzir-se os elementos do DAE e estes conseguiram retirar os corpos que estavam nesses sítios de difícil acesso.
Dificuldades não faltaram, pois havia corpos nas lagoas, carcaças de viaturas e até mesmo viaturas soterradas nessas valas e lagoas e o terreno em alguns casos era pantanoso. Já na direcção marítima, não havia dificuldades, porque o pessoal já está acostumado a trabalhar no mar e, por isso, não encontraram problemas.
Quanto ao equipamento utilizado, o comandante dos fuzileiros angolanos disse ter usado os meios disponíveis. "Temos alguns meios e são esses que nós utilizámos para essa operação, não são suficientes até porque todas as forças especiais do mundo têm vindo a evoluir no sentido de modernizar as suas forças".
Num momento de dor e luto, o empenho das Forças Armadas, veio atenuar o sofrimento das po-pulações. O CMG Bamba reco-nhece o esforço. "Estão todos de parabéns, porque de facto eles se empenharam dia e noite na busca de alguns corpos, no apoio às po-pulações sinistradas e os que estiveram na ponte da Vila do Gamek tiveram de fazer a travessia de duas mil pessoas que estavam impedidas de irem de uma margem à outra".
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