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Dia 27.02.07, às 4 horas da manhã partia o primeiro grupo de militares das Forças de Fuzileiros Navais composto por 7 militares. Os restantes 22 partiram com o segundo serviço numa aeronave AN-32 (T-256) de fabrico russo, com destino a Cazombo, uma localidade a leste de Angola, localizada na província do Moxico, Latitude 11,55'S e Longitude 22,53' E.
Com uma superfície de 223.032 quilómetros quadrados e cerca de 600.000 habitantes, faz fronteira com a RDC (300 km) e com a República da Zâmbia (834 km) e a 519 km do Luena capital da Província. O principal ponto de acesso é a aerogare com cerca de 1900 metros de comprimento, pois as principais vias de acesso por terra encontram-se interrompidas, devido às últimas enxurradas registadas naquela região.
O objectivo da missão é participar numa operação conjunta com a Protecção Civil no resgate e apoio às populações afectadas pelas chuvas e cheias.
Alto Zambeze
Os principais rios que banham o Cazombo são o Lungue-Vango, Luena, Cassai, Tchifumagi, Cuando, Kuito e Zambeze. As localidades mais afectadas pelas enxurradas são o Tchicaluegi, com 4.538, populares, Coto, com 4.169, Lunatchi, com 1.340, Mupatchi, com 2.365, Cerâmica (Daniel), com 567, Cazek, com 500, Cauende com 234 afectados e Tchilombo com 6 mortos vítimas de Tosse Convulsa (doenças respiratórias), perfazendo um total de 16.613 populares afectados.
As chuvas que assolaram a região do alto Zambeze deixaram um saldo de destruição de 5.520 casas, 456 km de estradas destruídos e três pontes, das quais uma de betão armado, e duas de madeira.
A equipa de resgate da MGA, está colocada no 11º Regimento de Infantaria, localizado na 3ª Região Militar. Esta Unidade é uma he-rança do Exército Português que ali se instalara na década de 60. Por lá passaram unidades como o 96º Pelotão de Canhões, destacados nas localidades de Lunachi, Caunda e Tchilombo no período de 15 de Maio de 1967 a 15 Maio de 1969; o Pelotão de Morteiro-1207, no Cazombo, Lunatchi e Caripande de 1967 a 1969; Pelotão de Morteiro-975, em Teixeira de Sousa e Cazombo de 1964 a 1966; Pelotão de Morteiro-1022 de 1965-67; a C.C.S. BART-1925 de 11.10.67 a 11.10.69 e o BART-2896, de acordo com os marcos localizados nesta mesma unidade militar.
Ainda segundo informações recolhidas no local, e dos escombros existentes na localidade de Tchilombo ali estivera ubicado um destacamento de Forças de Fuzileiros Navais do Exército colonial português.
Actualmente o 11º Regimento de Infantaria encontra-se a funcionar em Cazombo desde Setembro de 2000, altura em que fora reocupada pelas FAA e até ao momento já teve três Comandantes: O Coronel Silva de 2000-2001, o Coronel Ponta-Negra de 2001-2003 e o Brigadeiro Amadeu Maria Escrima, que assumiu o comando desta desde 2003 até ao momento.
O abastecimento logístico é feito por via aérea, pois as principais vias de acesso por terra estão praticamente intransitáveis e as poucas vias transitáveis forçosamente têm que passar por Saurimo.
O único meio de comunicação para manter as tropas informadas é a Rádio e a Televisão, pois o Jornal de Angola ali chega com 4 a 6 meses de atraso. O sinal da TPA é acompanhado pelas tropas sempre e quando houver combustível para o gerador de energia eléctrica de até 50 KVA.
Para o entretenimento das tropas, a CIA de Fuzileiros ali destacada instalou um dispositivo Áudio-Visual no qual projectavam num ecrã imagens da TPA e alguns filmes, durante o período de lazer da tropa e assim quebrar a monotonia vivida depois do horário de trabalho.
GRITO DE SOCORRO DA RAINHA "NYAKATOLO"
No segundo dia de trabalhos, a equipa de resgate da MGA chefiada pelo CMG Bamba Castro e alguns oficiais visitou a Rainha Lourdes Tchilombo "Nyakatolo", soberana da região do Alto Zambeze, que se manifestou preocupada com a situação que se vive naquela região, afirmando que “finda a guerra com as armas a nova guerra eram as chuvas, que desde Janeiro último até ao momento estão a criar grandes dificuldades às populações”.
Por isso, apelou ao governo central e ONGs no sentido de aumentarem as ajudas humanitárias, porque durante o tempo em que as cheias continuarem as populações irão conhecer e viver maiores vicissitudes. Dependerão de ajudas humanitárias para a solução das dificuldades, começando pelos bens de primeira necessidade, saúde e educação, pois não poderão realizar qualquer actividade nos campos devido às águas.
De acordo com a Rainha, a maior preocupação hoje não é o resgate das populações afectadas pelas águas, mas sim garantir a alimentação para esta mesma população, enquanto durarem as cheias e sementes que possam garantir as próximas culturas para não dependerem somente das ajudas humanitárias.
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